Oportunidade para a Oposição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à Agrishow 2026, que teve sua abertura oficial no domingo, 26, em Ribeirão Preto (SP). Com essa ausência, o petista encerra seu terceiro mandato sem visitar a maior feira agropecuária do País, o que lhe permite ampliar a atuação de seus opositores dentro do setor, especialmente em um ano eleitoral.
Entre os confirmados na feira estão o senador Flávio Bolsonaro (PL) e os ex-governadores Ronaldo Caiado (União-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), que iniciarão suas visitas a partir desta segunda-feira, 27. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chega à Agrishow acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Zema e Caiado deverão usar os corredores da feira para reforçar críticas ao governo atual, especialmente diante de um público que costuma ter uma afinidade maior com a direita.
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Nos últimos anos, a Agrishow não é mais apenas um local para negócios; ela se transformou em um termômetro da sucessão presidencial. Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, esse setor, que sempre esteve alinhado ao ex-presidente, tornou-se um dos principais alvos políticos na disputa atual. A relação entre a administração Lula e a Agrishow, aliás, entrou em crise logo no início do mandato do presidente.
Um episódio notório ocorreu em 2023, quando houve um “desconvite” ao então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. O motivo? A presença do ex-presidente Jair Bolsonaro, que também havia sido convidado a comparecer no mesmo dia. Essa tensão levou o governo Lula a ameaçar a retirada de patrocínios do evento.
Para evitar novos conflitos, a Agrishow fez ajustes em seu formato de abertura no ano seguinte, mas tornou-se uma vitrine para os políticos opositores. Em 2024, a feira foi aberta pela primeira vez em 30 anos sem a participação do público. A solenidade aconteceu um dia antes do habitual, contando com a presença exclusiva de expositores, autoridades e da imprensa.
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Durante esse evento, os governadores Tarcísio de Freitas e Caiado se manifestaram em Ribeirão Preto em apoio ao ex-presidente Bolsonaro, enquanto a cerimônia de abertura da Agrishow contava com a presença de Alckmin e Carlos Fávaro.
Diante desse cenário, Lula compreendeu que enfrentaria um público que, em sua maioria, seria crítico ao seu governo, além de contar com um histórico de tensões com o agronegócio. A representação do governo no evento ficou a cargo do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, que aproveitaram a oportunidade para destacar a abertura de 600 novos mercados para o agronegócio durante o governo Lula. Também foram feitas promessas de juros mais baixos nos financiamentos recordes ao setor por meio do Plano Safra.
Os adversários, por sua vez, foram bem recebidos e mantiveram foco em pautas ideológicas, buscando aproximação com o segmento, rejeitando invasões de terras e defendendo a segurança jurídica no campo. Em um discurso de tom político forte durante a Agrishow do ano anterior, Ronaldo Caiado, por exemplo, defendeu a união de lideranças estaduais em torno de uma candidatura à Presidência da República, com o agronegócio como foco principal para 2026.
A relevância do setor agropecuário não pode ser subestimada. Ele representa uma parte significativa do eleitorado, que não só detém poder econômico, mas também uma enorme capacidade de mobilização política, especialmente em regiões do interior paulista e do Centro-Oeste, locais onde Lula enfrenta dificuldades para conquistar votos.

