Cobrança da Comunidade Escolar
Na última quarta-feira, 7, famílias de crianças com deficiência, professores, estagiários e representantes da educação municipal se reuniram para pressionar a Prefeitura do Natal pela criação de um concurso público e a implementação de cargos específicos na área da Educação Especial na rede municipal de ensino. A exigência foi apresentada durante uma audiência pública promovida pela Frente Parlamentar em Defesa das Servidoras, Servidores e dos Serviços Públicos de Natal, realizada na Câmara Municipal, com ênfase no atendimento educacional a estudantes com deficiência.
A audiência foi idealizada pelo vereador Daniel Valença (PT), que preside a Frente Parlamentar. Além de pais e familiares, participaram representantes do Conselho Municipal de Educação, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN), da Comissão de Estagiários da Educação de Natal e de conselhos escolares. A Secretaria Municipal de Educação foi convidada, mas não enviou representantes para o evento.
Críticas ao Atendimento Atual
O tema central discutido durante a audiência girou em torno das falhas do modelo atual de atendimento a estudantes com deficiência. Educadores, estagiários e familiares expressaram preocupações sobre a dependência excessiva da rede municipal em relação a estudantes em estágio para apoiar crianças com condições como autismo, deficiência física e deficiência intelectual, bem como outras necessidades específicas. Para os participantes da audiência, esse modelo precariza o atendimento ao aluno, sobrecarregando jovens em formação e comprometendo a inclusão verdadeira.
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O professor Bruno Vital, representante do Sinte-RN, destacou que a Secretaria Municipal de Educação havia informado em uma reunião anterior que existem cerca de 3.200 estudantes com deficiência matriculados na rede. Contudo, dados mais recentes apresentados pela própria secretaria sugerem que esse número pode chegar a 4.500 alunos com diagnóstico formal. Segundo Bruno, é possível que o número real seja ainda maior, uma vez que muitos estudantes não possuem laudo. “O número tem crescido todos os dias”, ressaltou o professor.
Exigências de Melhoria nas Condições de Trabalho
Durante a audiência, o sindicato também criticou a proposta que prevê um salário de R$ 900 para os novos cargos, além da exigência de nível médio para as vagas. Essa situação foi considerada insatisfatória por muitos presentes, que argumentaram que a formação e a remuneração devem ser adequadas para assegurar um atendimento de qualidade às crianças com deficiência.
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A luta por melhores condições de trabalho e pela criação de cargos específicos para a Educação Especial reflete a necessidade urgente de adequações na rede pública de ensino. A mobilização de famílias e educadores demonstra um empenho coletivo para garantir que as crianças com deficiência recebam o suporte educacional que merecem, de forma digna e inclusiva.
A expectativa é que a Prefeitura do Natal responda a essas demandas e que a Secretaria Municipal de Educação se destaque pela proatividade em promover mudanças significativas no atendimento educacional voltado para essas crianças, que frequentemente enfrentam desafios adicionais no ambiente escolar. O que está em jogo é o direito à educação de qualidade, acessível para todos, independentemente de suas condições.

