Comércio varejista cresce pouco em Ribeirão Preto no primeiro semestre
As vendas do comércio varejista em Ribeirão Preto registraram um aumento modesto de 0,2% entre janeiro e junho de 2026. Esse resultado está abaixo do desempenho do mesmo período do ano anterior, quando o crescimento foi de 0,9%. Os números foram divulgados pelo Centro de Pesquisas do Varejo (CPV), uma iniciativa do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarp) em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Ribeirão Preto (CDL RP).
O economista e coordenador do CPV, Diego Galli Alberto, destaca que esse cenário reflete um agravamento das condições do varejo local e regional, acompanhando a tendência nacional. Segundo ele, Ribeirão Preto mantém um desempenho um pouco melhor porque é um polo regional de consumo que atrai compradores das cidades vizinhas.
Fatores que limitam o crescimento do varejo
O fraco desempenho do comércio é resultado da combinação de diversos fatores econômicos. A inflação persistente, juros elevados, aumento da inadimplência e o endividamento das famílias têm limitado o poder de compra dos consumidores. “Os salários da maior parte dos trabalhadores não acompanham a alta dos preços de produtos e serviços. Isso obriga muitos consumidores a trocarem marcas preferidas por opções mais acessíveis para equilibrar o orçamento”, explica Galli.
Além disso, o economista ressalta o impacto da carga tributária sobre empresários e consumidores. “O custo Brasil acaba sendo transferido ao preço final, afetando principalmente as micro e pequenas empresas, que são a base do varejo local. Com isso, a economia perde fôlego”, completa.
Empregabilidade no varejo acompanha desaceleração
O mercado de trabalho no comércio varejista de Ribeirão Preto também sente os efeitos da desaceleração. Entre janeiro e junho de 2026, o saldo entre vagas abertas e fechadas caiu 2,87% em comparação ao mesmo período de 2025, quando houve alta de 5,9%. Galli afirma que a redução nas vendas leva à retração do varejo, que, por sua vez, impacta negativamente a geração de empregos.
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Confiança empresarial em baixa para os próximos meses
A confiança dos empresários locais para os próximos meses também está em baixa. O Índice de Confiança Sincovarp/CDL RP, que varia de 1 (muito pessimista) a 5 (muito otimista), registrou média de 2,2 pontos no primeiro semestre de 2026, contra 2,9 pontos no mesmo período do ano passado. Para o horizonte de 12 meses, o índice ficou em 2,5 pontos, inferior aos 3 pontos de 2025, indicando uma visão pessimista do futuro próximo.
O economista prevê que o segundo semestre de 2026 será desafiador para o varejo em Ribeirão Preto. “A eleição polarizada e turbulenta deve trazer impactos diretos à economia e ao setor produtivo. Para enfrentar essa fase, os empresários precisarão se destacar da concorrência e aproveitar datas sazonais para minimizar os efeitos negativos”, comenta.
Desempenho mensal mostra oscilações ao longo do semestre
O primeiro semestre apresentou variações significativas mês a mês. Em janeiro, as vendas caíram 2,2%, reflexo da redução do consumo após a Black Friday e o Natal, além do aumento das despesas familiares com impostos, material escolar e férias.
Fevereiro registrou queda de 1,7%, influenciado pelo menor número de dias úteis, os efeitos do Carnaval e a inflação de 0,70%, que foi impulsionada por reajustes escolares.
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Março trouxe uma recuperação, com crescimento de 1,4%, motivado pelo retorno das compras adiadas e pela valorização do real, que ajudou a reduzir o custo de produtos importados.
Em abril, o avanço foi de 1%, apesar dos desafios impostos pela inflação, juros altos, inadimplência e endividamento. A realização da Agrishow contribuiu positivamente para o turismo e a economia local.
Maio registrou alta de 1,2%, favorecida pelo Dia das Mães, especialmente nos setores de vestuário, eletrodomésticos e perfumaria.
Por fim, junho teve o melhor desempenho do semestre, com crescimento de 1,6%. O Dia dos Namorados, as festas juninas, o clima mais frio e a desaceleração da inflação impulsionaram as vendas.

