Trajetória artística e início no rádio
Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido como Gracindo Jr., iniciou sua carreira no rádio ainda na adolescência, aos 15 anos, quando passou no teste para a Rádio Nacional em 1959. Desde então, construiu uma trajetória multifacetada, atuando como ator, redator e disc-jóquei. Filho do renomado ator Paulo Gracindo (1911-1995), Gracindo Jr. chegou a cursar psicologia, mas optou por viver intensamente as artes, transitando entre rádio, teatro, televisão e cinema, além de se dedicar à direção e supervisão de dramaturgia.
Desafios durante a ditadura e passagem pela TV Globo
Militante do Partido Comunista, enfrentou a cassação imposta pela ditadura militar em 1964, o que o impediu de trabalhar no rádio. Naquele período, já acumulava experiências em emissoras de televisão como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. Com a chegada da TV Globo, integrou o elenco pioneiro da emissora, contratado antes mesmo da estreia oficial do canal em 1965. Participou de novelas importantes da primeira fase da Globo, como “Rosinha do Sobrado” (1965), “Padre Tião” (1966) e “Os Ossos do Barão” (1973), além de trabalhos em “O Bem-Amado” (1973) e “Supermanoela” (1974).
O papel emblemático em “O Casarão” e incursões no teatro
Em 1976, Gracindo Jr. alcançou um papel marcante ao interpretar o pintor João Maciel na novela “O Casarão”, de Lauro César Muniz, que explorava três épocas diferentes e trouxe uma cena memorável ao colocar pai e filho como versões do mesmo personagem em fases distintas da vida. No mesmo ano, estreou como diretor teatral com a peça “A Longa Noite de Cristal”, de Oduvaldo Vianna Filho. Após uma temporada em Portugal dirigindo a peça “É”, de Millôr Fernandes, retornou ao Brasil para assumir a supervisão do núcleo de novelas das 18h na Globo, acompanhando de perto a produção de “A Sucessora”, de Manoel Carlos.
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Direção, atuação e contribuições para a dramaturgia
Durante os anos 80, ampliou sua atuação como diretor, comandando novelas como “Memórias de Amor” e “Marron-Glacé”, além de dirigir “Os Trapalhões” e atuar como apresentador dos primeiros clipes musicais no programa “Fantástico”. Em 1980, homenageou o pai com a peça “Paulo Gracindo, Meu Pai” e dirigiu as últimas montagens teatrais com Paulo Gracindo. Em 1984, ampliou sua carreira na TV Manchete, interpretando Dom Pedro 1º em “A Marquesa de Santos” e consolidando sua presença na teledramaturgia brasileira.
Retorno à Globo e trabalhos recentes
O retorno à Globo trouxe novas oportunidades, com participações em minisséries e novelas como “Tenda dos Milagres” (1985), “Mandala” (1987), “O Salvador da Pátria” (1989) e “Celebridade” (2003). Na década de 2000, também integrou produções da Record, como “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo” (2009), além da minissérie “Rei Davi” (2012). Paralelamente à televisão, manteve intensa atividade no teatro, participando de mais de 20 peças como ator, diretor e produtor, consolidando sua influência na cultura brasileira até os últimos anos de vida.
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Fonte: soudejuazeiro.com.br
Velório e homenagem final
O velório de Gracindo Jr. está marcado para o dia 3, no Crematório e Cemitério da Penitência, a partir das 12h10, com a cremação prevista para as 14h10. Sua história permanece viva no imaginário cultural do país, refletindo uma vida dedicada à arte e à resistência.

