Trajetória Marcante na Política Paulistana
Milton Leite (União Brasil) é uma das figuras mais expressivas da Câmara Municipal de São Paulo. Com uma carreira que se estendeu por 27 anos, entre 1997 e 2024, ele presidiu a Casa por seis vezes, incluindo quatro mandatos consecutivos. Sua influência na política local foi consolidada não apenas pela longa permanência, mas também pela capacidade de articulação e pela construção de uma base eleitoral sólida, que contribuiu para colocar seus filhos na vida pública.
Ascensão e Consolidação do Poder
Natural de Piraporinha, na zona sul da capital paulista, Milton Leite tem 70 anos e preside o União Brasil em São Paulo, além de liderar a federação União-Progressista, formada pelo União Brasil e Progressistas (PP). Sua trajetória partidária inclui filiações ao PCB, MDB e, a partir de 2008, ao DEM, atual União Brasil. Ao longo de sua carreira, Leite atuou sob sete prefeitos diferentes, sempre ampliando sua influência. Nas eleições de 2020, destacou-se como o segundo vereador mais votado da cidade, com 132.716 votos.
A consolidação do poder de Leite foi acelerada com a chegada de João Doria (PSDB) à prefeitura em 2017. O empresário, estreante na política, confiou a ele a articulação política dentro da Câmara Municipal. Sob sua presidência, a Casa aprovou a ampliação das possibilidades de reeleição para o comando da Câmara, permitindo mandatos consecutivos ilimitados. A proposta, apresentada pela Mesa Diretora, recebeu apoio da maioria dos vereadores.
Perfil Político e Relações Institucionais
Fernando Holiday (PL), ex-vereador que conviveu politicamente com Leite, relembra uma relação complexa, marcada por acordos e divergências. Eles concordaram em temas como privatizações e reforma da previdência municipal, mas tiveram conflitos públicos, como a ruptura de Holiday com o DEM em 2020 por discordâncias sobre a regulamentação de aplicativos de transporte.
Holiday destaca o perfil conciliador de Leite, que costumava ouvir diferentes posições e prezava pelo diálogo, mas também era hábil no uso do regimento interno para conduzir disputas quando o consenso não era possível. A chegada de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo estadual, em 2023, marcou uma perda de influência para Leite, que perdeu cargos no Executivo estadual e enfrentou resistência de Gilberto Kassab (PSD), então secretário de Governo e ex-prefeito de São Paulo.
Investigações e Operação Policial
Em 2024, Milton Leite voltou a ser alvo de investigações relacionadas ao transporte público em São Paulo. A Operação Fim de Linha o implicou por suposta ligação com a empresa Transwolff, acusada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) de lavar dinheiro para o PCC. Após a quebra de seu sigilo fiscal e bancário autorizada pela Justiça, Leite negou as acusações, afirmando que sua reputação estava sendo atacada.
No mesmo ano, tentou concorrer como vice na chapa à reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), mas foi preterido em favor do coronel Mello Araújo (PL). Com isso, anunciou sua aposentadoria da vida pública, indicando Ricardo Teixeira (União Brasil) como seu sucessor na presidência da Câmara.
Laços Familiares na Política
Milton Leite mantém forte presença política por meio de seus filhos. Alexandre Leite (União Brasil-SP) é deputado federal e disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. Milton Leite Filho, conhecido como Miltinho, também deputado estadual, busca uma cadeira na Câmara dos Deputados. Essa continuidade reforça o legado político da família na capital paulista.
Desdobramentos da Operação Vectura Corrupta
A Operação Vectura Corrupta, realizada em conjunto pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, cumpriu 13 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, incluindo a prisão temporária de Milton Leite, do ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira e do candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL). Outros suspeitos ligados a interesses do PCC e advogados também foram detidos.
Leite não foi encontrado pela polícia e é considerado foragido. Em nota ao Valor Econômico, ele negou as acusações e informou que se apresentará às autoridades dentro de 24 horas. Reforçou que qualquer associação entre ele e o PCC é “pura ilação”.
Nas redes sociais, Alexandre Leite classificou a operação como uma “covardia” e expressou tristeza pelo constrangimento ao pai, especialmente em um momento eleitoral. Holiday avaliou a gravidade da situação, ressaltando surpresa com a investigação e a expectativa por esclarecimentos.

