São Paulo registra resultado inédito no Pisa 2025
A rede estadual de ensino de São Paulo alcançou o melhor desempenho da sua história no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2025. Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira, 8, indicam que o Estado ficou acima da média brasileira em ciências, leitura e matemática, as três áreas avaliadas.
O que o Pisa avalia e a participação dos estudantes
O Pisa foca na capacidade de jovens de 15 anos em aplicar conhecimentos escolares em situações práticas, avaliando habilidades como interpretação, raciocínio e solução de problemas. No Brasil, 30,1 mil estudantes participaram em 2025, com uma amostra de 2,2 mil alunos selecionados por sorteio no Estado de São Paulo.
Comparação inédita por Estado
Pela primeira vez em dez anos, a OCDE liberou resultados detalhados por Estado, o que possibilitou comparar o desempenho paulista ao nacional. Essa análise revela que São Paulo se destaca especialmente em ciências, área principal da edição, onde o Estado obteve 443 pontos frente a 409 da média brasileira, superando por 34 pontos.
Entendendo a pontuação do Pisa
A pontuação do Pisa não corresponde à quantidade de acertos, mas a um modelo estatístico que considera a dificuldade das questões e o desempenho dos estudantes. A escala usa 500 pontos como referência histórica, sem limite máximo, para comparar níveis de aprendizagem entre diferentes países e edições. Em 2025, a média dos países da OCDE foi de 482 pontos em ciências, 463 em matemática e 461 em leitura.
Avanços significativos em uma década
Ao analisar o desempenho de São Paulo desde 2015, observa-se uma evolução consistente: 34 pontos a mais em ciências (de 409 para 443), 17 pontos em leitura (de 417 para 434) e 18 pontos em matemática (de 386 para 404). Esses números refletem melhorias concretas na aprendizagem dos estudantes paulistas.
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Currículo alinhado à realidade e melhores condições escolares
Andreas Schleicher, coordenador da avaliação na OCDE, destaca que a combinação de um currículo conectado à vida cotidiana com melhores condições para o trabalho escolar pode gerar avanços efetivos no aprendizado. Na edição de 2025, as questões de ciências focaram em interpretar dados científicos, avaliar evidências e compreender fenômenos ambientais e mudanças climáticas.
Impacto das mudanças curriculares no desempenho
A Secretaria da Educação de São Paulo atribui parte desse avanço às mudanças implantadas desde 2023. Entre elas, o aumento das aulas semanais de língua portuguesa e matemática, a introdução da educação financeira, novas orientações de estudo e a reorganização dos itinerários formativos do ensino médio, que foram reduzidos de 11 para três opções: exatas, humanas e ensino médio técnico.
Além disso, a formação técnica foi ampliada consideravelmente, com as matrículas saltando de 35 mil em 2023 para 231 mil no início de 2026, com a meta de alcançar 350 mil vagas em 2027.
Tutoria de Aprendizagem acelera progresso dos alunos
O programa de Tutoria de Aprendizagem, direcionado para português e matemática do 6º ao 9º ano, também impactou positivamente o desempenho. Avaliações diagnósticas realizadas em 2026 indicam que os estudantes que participam da tutoria avançaram entre 1,7 e 2,9 vezes mais rápido do que a média regular.
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Desempenho paulista frente a países da América Latina
Além de superar a média brasileira, São Paulo alcançou resultados comparáveis e até superiores a países que lideram os rankings educacionais na América Latina. Em ciências, São Paulo marcou 443 pontos, acima do Chile (442) e próximo ao Uruguai (445). Em leitura, o Estado registrou 434 pontos, superando o Uruguai (423) e a média nacional (408), enquanto o Chile ficou com 436 pontos.
Na matemática, São Paulo também ficou à frente do Chile (404 contra 403) e próximo do Uruguai (405), enquanto a média brasileira foi 377 pontos.
Brasil ainda abaixo da média da OCDE
Apesar do avanço paulista, o Brasil permanece abaixo da média dos países da OCDE nas três áreas avaliadas pelo Pisa em 2025. Esse contraste evidencia desafios a serem enfrentados em outras regiões do país para elevar o padrão da educação nacional.
O resultado paulista demonstra que políticas educacionais alinhadas às necessidades reais dos estudantes, como atualização curricular e investimentos em formação técnica e tutoria, podem gerar progressos concretos na aprendizagem e preparar melhor os jovens para desafios futuros.

