Impactos da Lei na Dinâmica Escolar
O sinal toca e os alunos entram na sala de aula, agora sem a distração de telas acesas. Desde a implementação da Lei Federal nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, essa mudou a rotina nas instituições de ensino em todo o Brasil. Um ano após sua entrada em vigor, os efeitos começam a revelar-se de maneira clara e concreta no ambiente escolar.
Relatos de escolas em diversas regiões indicam que a atenção dos alunos melhorou, assim como a participação nas aulas. A redução das distrações digitais tem contribuído para um ambiente mais propício à concentração e ao aprofundamento dos conteúdos. A experiência nos colégios tem mostrado que o foco no aprendizado e nas relações interpessoais voltou a ser valorizado.
“Sem os celulares, a escola se tornou um espaço de encontro novamente. A diminuição do uso de tecnologia favoreceu interações mais significativas entre os estudantes, promovendo diálogo e engajamento nas atividades coletivas. Os coordenadores relatam que o ambiente agora é mais focado no aprendizado e nas relações humanas”, comenta Rafael Rodrigues, coordenador socioeducacional do Ensino Médio do Marista Brasil.
Motivações por Trás da Restrição
A criação da lei foi impulsionada por dados preocupantes. A edição de 2022 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) revelou que 80% dos alunos acreditam que o uso de celulares prejudica sua concentração, especialmente durante as aulas de matemática. Além disso, a saúde mental dos estudantes também foi uma preocupação crescente. Especialistas têm indicado que o uso excessivo de dispositivos digitais está relacionado ao aumento da ansiedade e à diminuição das interações face a face.
A proposta do Ministério da Educação é equilibrar a tecnologia no ambiente escolar. A ideia é permitir o desenvolvimento de competências digitais sem comprometer a aprendizagem. O foco deve ser a utilização consciente da tecnologia, sempre com um propósito pedagógico definido, evitando distrações constantes.
Resultados Concretos nas Instituições de Ensino
No Colégio Marista Brasil, que possui 97 unidades em todo o país, a mudança de comportamento dos alunos tem sido notável. Durante o primeiro ano, uma pesquisa realizada no Colégio Marista São José Tijuca, no Rio de Janeiro, revelou que 72% dos estudantes passaram a conversar mais com os colegas durante os intervalos. O uso da biblioteca aumentou em 40%, impulsionado pelo interesse em leitura e atividades em grupo, enquanto a prática de esportes e brincadeiras livres cresceu em 68%.
“No início, a adaptação foi desafiadora, mas com o tempo, os alunos começaram a desenvolver novos padrões de relacionamento. As aulas tornaram-se mais tranquilas e os intervalos mais animados, com mais conversas e brincadeiras. A mudança foi positiva e visível ao longo do ano”, observa Raul Pietricovsk, vice-diretor do Colégio Marista Águas Claras, em Brasília.
Em Alfenas, Minas Gerais, uma atividade que ganhou destaque foi a montagem de quebra-cabeças, que promoveu interação entre os alunos e ajudou no desenvolvimento do raciocínio. Em colégios como Marista Ribeirão Preto e Marista Champagnat, em São Paulo, a busca por atividades artísticas, como teatro e música, também aumentou, refletindo uma nova forma de engajamento entre os estudantes.
“As aulas de teatro têm atraído cada vez mais alunos, pois oferecem um espaço seguro para escuta e convivência. Através de jogos teatrais e improvisações, os jovens desenvolvem habilidades de comunicação e expressão”, afirma Samantha Calsani, professora de teatro do Colégio Marista Champagnat.
Uma Nova Perspectiva sobre Tecnologia na Educação
Após um ano de implementação da restrição ao uso de celulares, as escolas têm demonstrado que essa medida não visa afastar a tecnologia da educação, mas sim reposicioná-la. O objetivo é promover um uso consciente, com um propósito pedagógico claro, enquanto o tempo presencial é valorizado como um espaço de aprendizado e interação significativa.
O Marista Brasil, uma rede de colégios com presença em 20 estados e no Distrito Federal, atende mais de 100 mil alunos, oferecendo formação integral que combina valores Maristas e excelência acadêmica. A proposta é preparar crianças e jovens para um futuro em constante transformação.

