Uma nova abordagem para a cultura organizacional
Carla Medrado, natural do Pará, apresenta seu livro “Cultura Organizacional: Quando escutar transforma” neste domingo (13) durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O pré-lançamento acontecerá às 17h30, reunindo reflexões construídas ao longo de mais de duas décadas e meia de experiência da autora no universo da gestão e do trabalho com pessoas. Em sua cidade natal, Belém, o lançamento está previsto para novembro, com data a ser divulgada nas redes sociais da escritora.
Da experiência corporativa ao método estruturado
O livro nasceu das vivências profissionais de Carla em empresas nacionais e multinacionais dos setores de energia, telecomunicações, bebidas e indústria. Atuando em posições de liderança e C-Level, acompanhou processos complexos como expansão, internacionalização, abertura de capital, fusões, aquisições e reestruturações. A obra parte de uma reflexão central: como a escuta efetiva dos colaboradores pode transformar o funcionamento interno de uma organização?
Carla percebeu que muitas empresas realizavam pesquisas para captar a opinião dos funcionários, mas tinham dificuldade em converter esses dados em mudanças concretas. “Esse incômodo foi crescendo comigo, até que percebi que faltava um caminho estruturado entre escutar e transformar”, relata. Para superar esse desafio, ela buscou inspiração na Pesquisa-Ação de Kurt Lewin e na engenharia de equipes de Fela Moscovici, criando uma abordagem participativa e diagnóstica que foi aprimorada em diferentes contextos corporativos.
O poder da escuta ativa na gestão empresarial
No livro, Carla detalha um processo que começa pela escuta atenta, passa pela organização e análise dos dados e culmina na elaboração de planos de ação. A proposta é que a pesquisa sobre o ambiente de trabalho deixe de ser apenas uma fotografia estática para se tornar parte integrante da gestão cotidiana.
Leia também: Prefeitura de São Paulo lança obras de autoras pioneiras na Bienal do Livro
Leia também: Arena Ziraldo Brilha na 28ª Bienal do Livro de São Paulo com Programação Diversificada
“Ouvir não basta. Muitas empresas sequer realizam pesquisa de clima, e entre as que fazem, poucas sabem transformar os resultados em ações efetivas. É aí que a escuta acaba esquecida”, explica a autora, que vivenciou esse desafio na prática. Sua pesquisa de mestrado em Gestão Empresarial na UTAD, em Portugal, analisou três anos de aplicação do método e comprovou uma relação estatisticamente significativa entre escuta estruturada e melhorias nos indicadores de clima organizacional.
Transformar a cultura organizacional a partir da escuta
Um ponto central da metodologia é a devolutiva: o momento em que a organização compartilha o que foi identificado e, principalmente, o que será feito a partir disso. “Quando a escuta vira dado, o dado vira plano de ação e o plano de ação vira cultura viva, as pessoas passam a confiar no processo. Essa confiança sustenta qualquer transformação real”, afirma Carla.
O livro propõe uma visão integrada da escuta com temas como cultura organizacional, liderança e bem-estar no trabalho. Em vez de tratar esses aspectos separadamente, sinaliza que eles podem ser trabalhados a partir de um mesmo processo coletivo e participativo.
Leia também: Prefeitura de São Paulo promove Tulipa Ruiz, MC Marechal e Grupo Triii na Bienal do Livro
Leia também: Bienal do Livro de São Paulo reúne autores renomados e oferece transporte gratuito
Carla destaca ainda que ouvir profundamente pode revelar aspectos desconfortáveis para a empresa. “Escutar de verdade coloca a organização diante de um espelho, e nem sempre o que aparece é confortável. Cultura não se transforma apenas pelo que as empresas dizem valorizar, mas pelo que têm coragem de ouvir e transformar em ação”, observa.
Do cenário nacional ao retorno para Belém
O pré-lançamento na Bienal traduz o reconhecimento nacional do método que Carla elaborou com base na prática e na pesquisa acadêmica. Após 17 anos morando fora, a autora retornou a Belém e fundou a IN Sight Cultura Empresarial, sua consultoria em 2023. Para ela, o lançamento na capital paulista marca a chegada desse trabalho a um palco de visibilidade ampla, enquanto o lançamento paraense terá o significado simbólico de um retorno às raízes.
“Lançar o livro em Belém é entregar para minha cidade uma parte importante da minha trajetória, essência e propósito”, conclui. A data do evento na capital paraense será anunciada em breve, prometendo conectar a trajetória da autora com o público local interessado em cultura organizacional e gestão de pessoas.

