O fim de uma história no samba paulistano
O Grêmio Recreativo Cruz da Esperança, conhecido por sediar o tradicional Samba do Cruz na zona norte de São Paulo, amanheceu cercado por agentes da Guarda Civil Metropolitana nesta quarta-feira 29, data prevista para a demolição do espaço pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A decisão, autorizada pela Justiça, encerra uma trajetória de 68 anos e é alvo de contestação por parte dos integrantes do grêmio, que vêm lutando contra a reintegração de posse do terreno.
Contexto histórico e mudanças no uso do terreno
Localizado próximo ao Aeroporto Campo de Marte, o espaço integra uma área da União que, até 2022, estava sob administração do Comando da Aeronáutica. A ocupação do terreno teve início no final da década de 1950, resultado de um acordo informal entre moradores, taxistas e a Aeronáutica para a prática do futebol de várzea. Contudo, com a transferência da área para o município de São Paulo, como parte da quitação da dívida da União com a prefeitura, a gestão Nunes cedeu o terreno à iniciativa privada, sob a justificativa de planejar a construção de um parque público.
Reação da comunidade e críticas culturais
A medida provocou mobilização da comunidade local, artistas e lideranças políticas, que tentaram barrar a demolição nas redes sociais e nos meios públicos. O presidente do Grêmio, Antonio de Jesus Marques, conhecido como Toninho, agradeceu o apoio, mas lamentou que o esforço não tenha sensibilizado a prefeitura. Na noite anterior à demolição, o espaço realizou mais uma edição gratuita do Samba do Cruz, com presença da vereadora Luna Zarattini (PT-SP) e centenas de frequentadores, em uma última celebração da cultura local.
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Desmonte cultural e futuro do espaço
Entidades culturais criticam a prefeitura pelo fechamento e destruição de espaços culturais na capital. Em março, por exemplo, foi demolido o Teatro de Contêiner, e também foi retomado um terreno utilizado pela Companhia Mugunzá de Teatro, em longa disputa judicial. Ainda no complexo do Campo de Marte, o clube de futebol de várzea Aliança da Casa Verde, voltado ao futebol feminino e público LGBT+, foi demolido recentemente, reforçando a sensação de perda na cena cultural comunitária.
Posição oficial da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que dialogou com todas as entidades que utilizavam o espaço, e que apenas o Grêmio Cruz da Esperança não concordou com a proposta de reintegração. Segundo a gestão municipal, o grêmio teria abandonado as negociações e desrespeitado notificações para desocupar voluntariamente a área. A prefeitura também criticou o evento Samba do Cruz, alegando que ele ocorria sem autorização, com venda irregular de bebidas alcoólicas e cobrança de entrada em espaço público. O Consórcio Campo de Marte, responsável pela gestão do terreno, firmou acordo para gestão compartilhada dos futuros campos de futebol de várzea com outras associações locais.
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Fonte: diretodecaxias.com.br

