Entenda a Polêmica sobre o Uso de Dinheiro Público em shows
A questão do uso de dinheiro público por prefeituras para custear cachês de shows está novamente em evidência. Recentemente, envolveu o cantor Wesley Safadão e Renan Santos, cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), que também é pré-candidato à presidência pelo partido Missão. Essa discussão foi acentuada após um vídeo publicado por Santos nas redes sociais, onde ele chama Safadão de “novo ícone da corrupção” devido aos altos valores que o cantor recebe de prefeituras, especialmente em municípios menos favorecidos.
No dia 27 de abril, Wesley Safadão conseguiu uma decisão judicial contra Renan Santos, o que demonstra a tensão entre o artista e o político. Em uma entrevista durante o Ribeirão Rodeo Music 2026, em Ribeirão Preto, SP, Safadão se defendeu, afirmando que tem a consciência tranquila em relação às críticas sobre os shows que realiza. “Não tenho nada a reclamar”, disse o cantor, mostrando segurança em seu trabalho e agradecimento ao apoio que recebe.
Críticas e Medidas Jurídicas em Debate
As críticas de Renan Santos não pararam por aí. No dia 4 de maio, ele voltou a se manifestar em suas redes sociais, onde anunciou que está avaliando a possibilidade de tomar medidas jurídicas para coibir a realização de shows pagos com dinheiro público. Santos indicou que está mobilizando sua equipe para discutir essa questão e mencionou a atuação de ministérios públicos e tribunais de contas em todo o país.
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A Opinião de Especialistas sobre o Uso de Dinheiro Público
O G1 procurou a professora titular em Administração Pública da USP Ribeirão Preto, Cláudia Passador, para esclarecer a legalidade do uso de dinheiro público para esse fim. Ela afirma que, segundo a legislação brasileira, as prefeituras podem, sim, utilizar recursos públicos para contratar artistas, desde que respeitem certos procedimentos, como a elaboração de editais. “A contratação deve ser feita por meio de edital e, na grande maioria dos casos, deve haver licitação”, explica Passador.
A professora menciona também que existem leis de incentivo à cultura que permitem aos gestores contratá-los, como a Lei Rouanet e o PROAC (Projeto de Captação de Recursos). Contudo, ressalta que muitas vezes esses instrumentos são utilizados inadequadamente, levando a contratações que não representam, de fato, a cultura local.
Criterios que Justificam o Gasto Público
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Cláudia Passador destaca que a disseminação cultural é o principal critério que justifica o uso de recursos públicos para esses eventos. No entanto, ela adverte que a falta de parâmetros claros pode levar a contratações questionáveis. “Eventos que não dialogam com a cultura local, mas que são contratados apenas pela lógica comercial, podem gerar distorções”, comenta.
Como Provar a Compatibilidade dos Valores?
Outro ponto abordado pela especialista é a dificuldade em comprovar que os cachês pagos são compatíveis com o mercado. “Não há uma tabela fixa no sistema de licitação que regule os preços. Um artista pode cobrar valores muito diferentes em cidades vizinhas, o que gera confusão e problemas a gestores públicos”, observa.
Eventos Aprovados pela Legislação
Cláudia explica que eventos culturais são geralmente aceitáveis em termos de despesas públicas, ressaltando que aqueles de caráter educativo frequentemente enfrentam menos questionamentos. “Eventos que envolvem escolas públicas e que promovem a cultura para a educação básica são frequentemente vistos como mais justos e apropriados”, diz.
Despesas em Tempos de Crise
Em tempos de crise, principalmente nas áreas de saúde e educação, os gastos com cultura podem ser questionados, mas, segundo a especialista, legalmente esses gastos não são considerados irregulares. “Cultura, saúde e educação têm pastas diferentes, e cada uma delas deve ser tratada com a devida importância”, conclui.

