Acelerado crescimento econômico da Índia impulsiona as exportações do agronegócio de São Paulo.
Dados recentes do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, revelam que, em 2025, as exportações para a Índia atingiram aproximadamente 2 milhões de toneladas, gerando uma movimentação financeira superior a US$ 906 milhões. Atualmente, a Índia ocupa a segunda posição entre os destinos das exportações do agronegócio paulista na Ásia, atrás apenas da China, e destaca-se como o quarto maior mercado para o estado, um crescimento significativo comparado a cinco anos atrás, quando o país estava apenas na 19ª posição.
O crescimento robusto da Índia, que apresenta uma expansão econômica acelerada, também é um fator determinante. José Rita Moreira, analista econômico, destaca que “o Brasil cresceu 18% nos últimos cinco anos, enquanto a Índia registrou um impressionante crescimento de 55%”. Essa diferença evidencia um mercado ávido por consumo e que agora possui recursos suficientes para adquirir produtos diversos.
A Agrishow, reconhecida como a maior feira de tecnologia agrícola do Brasil, também desempenha um papel vital nesse cenário. O evento, que ocorre em Ribeirão Preto (SP) e se estende até o dia 1º de maio, movimentou R$ 14,6 bilhões no ano anterior.
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Exportações em Destaque e Desafios no Setor
No que diz respeito aos produtos exportados, o complexo sucroalcooleiro lidera as vendas para a Índia, representando 76,8% do total exportado, o que equivale a US$ 696 milhões. Na sequência, estão o óleo de soja, que rendeu cerca de US$ 89 milhões, e os produtos da indústria química de origem vegetal, que totalizaram US$ 33 milhões. Carlos Nabil Ghobril, diretor da APTA, atribui esse crescimento ao perfil do mercado indiano, que, com uma população de quase um bilhão e meio de pessoas, tornou-se uma potência econômica.
“A Índia é a maior população do mundo e ocupa atualmente a quarta posição em termos de economia global. Portanto, é um parceiro estratégico para o Brasil”, explica Ghobril. No entanto, apesar do protagonismo do açúcar nas exportações, especialistas alertam sobre a necessidade de diversificação na pauta exportadora brasileira.
José Rita Moreira aponta que “o Brasil ainda conta com uma dependência excessiva de produtos primários”. Ele sugere uma maior estratégia de marketing para destacar o valor agregado que o Brasil pode oferecer, além da mera exportação de matérias-primas.
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Crescimento das Exportações de Algodão e Potencial para Diversificação
Outro produto agrícola que tem ganhado destaque é o algodão. As exportações desse item para a Índia aumentaram 160% em apenas um ano, passando de 5 mil para 15 mil toneladas. Ghobril relaciona esse crescimento à qualidade superior do algodão paulista e ao desvio das compras indiana de outros fornecedores internacionais. “Eles estão começando a importar do Brasil, pois nosso algodão se destaca pela qualidade, favorecendo as exportações”, comenta.
Além disso, o conhecimento técnico dos produtores de São Paulo é um ponto positivo que fortalece a competitividade e a sustentabilidade na produção de algodão. Essa combinação de fatores abre novas perspectivas para o agronegócio paulista no mercado indiano.
Relações Diplomáticas Impulsionando o Comércio
A aproximação diplomática e econômica entre Brasil e Índia, que compõem o bloco BRICS, também tem contribuído para o crescimento das exportações. Nos últimos anos, missões comerciais, visitas oficiais e eventos como o Brazil-India Agri Innovation Day, realizado em Nova Delhi, têm reforçado a cooperação, especialmente na pesquisa agrícola.
A expectativa é que o comércio entre São Paulo e a Índia continue a se expandir, com a possibilidade de diversificação das exportações, alcançando produtos como celulose, cítricos, madeira e óleos essenciais. Há também o potencial para a inclusão de proteína animal, embora barreiras comerciais ainda dificultem a sua entrada no mercado indiano. O professor Moreira ressalta: “A Índia ainda não compra o frango brasileiro devido a sobretaxas, mas há negociações em curso para reduzir essas tarifas e abrir um novo mercado que pode ser promissor”.

