Uma Celebração da Diversidade
No Dia da Visibilidade Trans, comemorado em 31 de março, o Teatro Minaz, localizado em Ribeirão Preto, será palco do espetáculo “Hoje Podes Chamar-me de Tua”. Com uma proposta que mistura teatro, música e literatura, a apresentação homenageia artistas da comunidade LGBTQIAP+. O evento começa às 20h e a entrada é gratuita, sendo parte do projeto TRANS/FORM/AÇÃO: Teatro e Transgeneridade, que busca proporcionar uma experiência afetiva explorando a auto-performance, identidade de gênero e corporalidade.
O dia é significativo por coincidir com o Dia Internacional da Visibilidade Trans, o que reforça a intenção do projeto de fomentar um debate mais amplo sobre diversidade, representatividade e inclusão por meio das artes. No palco, a atriz e dramaturga Eme Barbassa, acompanhada do cantor e bailarino Davi Tostes, além do músico Jonas Tostes, irá conduzir uma performance no estilo de um sarau artístico. A apresentação incluirá canções, poemas e textos de criadores que deixaram sua marca na produção cultural LGBTQIAP+, como Caio Fernando Abreu, Cazuza, Ney Matogrosso e o primeiro poeta trans brasileiro, Anderson Herzer, entre outros.
Reflexões sobre Identidade e Pertencimento
De acordo com Eme Barbassa, que é também a idealizadora do espetáculo, a intenção é utilizar a arte como uma ferramenta para reflexões sobre identidade, diversidade e pertencimento. “Estar no palco é um posicionamento político. Como mulher trans e artista no Brasil, anseio provocar no público uma reflexão sobre quais corpos podem ocupar determinados espaços e ter suas histórias reconhecidas como parte da nossa memória cultural”, explica.
O espetáculo nasceu de uma experiência vivida por Eme, que, após conceder uma entrevista a um jornal nacional sobre seu trabalho e as discussões em torno de gênero e representatividade nas artes, enfrentou ataques transfóbicos e gordofóbicos nas redes sociais. Em vez de revidar, a artista decidiu transformar a dor em criação, resultando na concepção do espetáculo teatral.
Trocando Experiências e Celebrando a Cultura Queer
Davi Tostes enfatiza que a obra foi desenvolvida com um forte enfoque em colaboração artística e na vontade de converter experiências desafiadoras em diálogos significativos com o público. “As trocas artísticas entre Eme e eu são de longa data. A fusão de teatro, música e literatura visa provocar reflexões sensíveis, convidando o público a pensar sobre questões urgentes por meio da poesia e da emoção”, destaca.
Para ele, o projeto também se coloca como uma resposta às violências que afetam corpos dissidentes no Brasil. “Nosso objetivo é contrabalançar essa realidade por meio da arte e valorizar a cultura queer. Queremos celebrar, com música e poesia, as histórias e trajetórias de uma parcela da população que continua a enfrentar intensa marginalização no país”, acrescenta Davi.
Participação de Artistas Locais
Além do elenco principal, o espetáculo contará com a participação especial de artistas reconhecidos da cena LGBTQIAP+ local, como a atriz e escritora Alma Aiye Dun, e o grupo Quarta Pele, que se destaca como a primeira banda não binária e transmasculina da cidade, composta por Gali Galó, Jozé Rioz, Nando Maldonado e Maga Silva.
Educação e Diálogo através da Arte
O projeto também possui uma vertente educacional, prevendo uma circulação artística em quatro escolas de Ribeirão Preto. Essa iniciativa incluirá aulas teatrais e rodas de conversa com artistas e produtores, promovendo um diálogo sensível e responsável sobre direitos humanos, diversidade, inclusão, respeito e o combate ao preconceito. A proposta busca não apenas entreter, mas também educar e conscientizar a sociedade sobre questões fundamentais que envolvem a vivência das minorias.

