O Esquema de Furto de Combustíveis
Em uma operação que já resulta em sete prisões, as investigações sobre furtos de combustíveis em dutos da Transpetro revelaram um esquema organizado que causou prejuízos estimados em R$ 5 milhões. Até o momento, dois suspeitos permanecem foragidos, enquanto as autoridades aguardam o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão, incluindo medidas de quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático.
Segundo o delegado André Baldochi, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto (SP), a apuração teve início em agosto de 2025, após um registro de furto em um duto que liga Ribeirão Preto a Cravinhos (SP). A operação, realizada nesta segunda-feira, mirou os indivíduos que atuavam diretamente na soldagem dos dutos no momento dos furtos, além de motoristas de caminhões responsáveis pelo transporte dos produtos furtados e empresas distribuidoras que adquiriram os combustíveis.
“Os envolvidos têm funções bem definidas. Por se tratar de um crime altamente especializado, há quem saiba soldar os registros nos dutos. Eles acessam o duto, seja cavando ou quando a estrutura fica exposta, soldando o registro nesse ponto. Depois, os motoristas chegam com os caminhões, conectam uma mangueira e retiram o combustível sob pressão do duto”, descreve Baldochi.
Identificação dos Suspeitos
A Polícia Civil revelou os nomes e funções de alguns dos suspeitos. Entre eles estão:
- Laerte Rodrigues dos Santos (preso em Artur Nogueira) – um dos líderes da quadrilha.
- Marcelo Teixeira de Gouveia (preso em Campinas) – proprietário de uma distribuidora em Paulínia.
- Wagner de Souza Leite (preso em Ribeirão Preto) – motorista e dono de uma transportadora.
- Wagner Silva Leite (foragido) – filho de Wagner de Souza, atuou como motorista.
- Calil Fernando Carneiro (preso em Ribeirão Preto) – estava envolvido na preparação do duto e já havia sido preso em 2020 pelo mesmo tipo de crime.
Esses indivíduos enfrentam acusações de furto qualificado, receptação e formação de organização criminosa. A reportagem tenta localizar as defesas dos acusados.
Operação Sangria em Diversas Cidades
As ações policiais ocorreram em pelo menos sete cidades do estado de São Paulo, incluindo Campinas, Paulínia, Leme, Artur Nogueira, Conchal, Ribeirão Preto e Jardinópolis. Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca em duas empresas distribuidoras de combustíveis suspeitas de facilitar o escoamento do produto ilegal. Um empresário do setor foi detido em Campinas.
As autoridades apreenderam aparelhos celulares e equipamentos de informática, que passarão por perícia para auxiliar na investigação. O foco da operação não é apenas o furto de combustível, mas também os danos causados à infraestrutura dos dutos, os impactos operacionais e os riscos ambientais.
“Esse tipo de crime gera grandes prejuízos à empresa, não apenas pelo combustível subtraído, mas também pelos custos de reparo dos dutos, que ficam impedidos de operar, aumentando o risco de desabastecimento e provocando crimes ambientais”, enfatizou o delegado Baldochi.
A Posição da Transpetro
A Transpetro, por sua vez, emitiu uma nota afirmando ser vítima contínua de furtos de petróleo e derivados em dutos e manifestou sua principal preocupação com a preservação da vida, segurança das pessoas e proteção do meio ambiente. Para combater essas ações criminosas, a empresa utiliza tecnologias que possibilitam a rápida localização de derivações clandestinas e realiza um trabalho de conscientização nas comunidades locais. Além disso, mantém convênios com órgãos de segurança pública nos estados afetados.
Nos últimos anos, a Transpetro registrou um aumento significativo no número de ataques a seus dutos, especialmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais. “A Transpetro colabora com as autoridades competentes e mantém uma articulação constante com os órgãos de segurança pública, incluindo polícias civis e militares, Ministérios Públicos e o Disque Denúncia”, concluiu a empresa.

