Troca de Acusações e Críticas entre as Autoridades
Na última terça-feira (29), Embu das Artes, localizada na Grande São Paulo, foi palco de uma tragédia que resultou na morte de seis membros de uma mesma família, vítimas de um deslizamento de terra. O incidente desencadeou uma série de críticas e acusações entre o governo estadual e a prefeitura local, a gestão de Ney Santos (PRB).
A Defesa Civil relatou que o resgate dos corpos, que ocorreu em meio a lama e escombros, levou quase 24 horas. Segundo informações fornecidas pela prefeitura, aproximadamente 200 famílias foram afetadas pela calamidade.
O governo estadual, sob a gestão de João Doria (PSDB), defende que estudos sobre áreas de risco foram realizados em 2014 e 2018 em parceria com o Serviço Geológico do Brasil e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Em nota, foi destacado que “os trabalhos de campo contaram com o acompanhamento direto da Defesa Civil municipal”. Contudo, a região onde ocorreu a tragédia não foi alvo de uma avaliação de risco detalhada, embora tenha sido identificada como uma área de alto risco para deslizamentos.
O governo do estado alega que a administração municipal deveria ter tomado medidas preventivas, já que há conhecimento prévio sobre a suscetibilidade da região a deslizamentos. Contudo, a prefeitura, através de seu assessor especial, Jones Donizette, argumenta que o relatório mais recente, concluído em agosto, foi entregue com um atraso significativo de quatro meses.
“Ficamos surpresos com a demora na entrega do estudo, que apontou 18 áreas de risco no município, afetando cerca de 3.800 famílias,” disse Donizette. De acordo com a gestão estadual, o documento foi enviado à prefeitura no último dia 9 de dezembro.
A prefeitura, por sua vez, se comprometeu a agir com base no relatório recebido, mas lamentou que o atraso inviabilizou a implementação de ações preventivas antes da tragédia. “Infelizmente, não foi possível realizar intervenções em apenas 20 dias,” declarou a administração municipal.
Além disso, a gestão de Ney Santos informou que solicitou apoio financeiro ao governo estadual para ajudar as famílias que vivem em áreas de risco, assim como aquelas deslocadas devido ao deslizamento. Em resposta, o governo estadual afirmou estar aberto ao diálogo e disposto a analisar as necessidades do município.
A Tragédia e Seus Impactos
Seis pessoas da mesma família foram tragicamente soterradas durante a intensa chuva que atingiu Embu das Artes na terça-feira (29). A lista de vítimas inclui dois bebês. Antes da chegada dos bombeiros, vizinhos se mobilizaram e tentaram, à força de braços, encontrar sobreviventes entre os escombros.
Além da tragédia familiar, um homem de 56 anos também perdeu a vida ao ser levado pela enxurrada enquanto tentava desobstruir um bueiro nas ruas Perdizes e Previdência. O desabamento ocorreu na rua Pégaso, no Jardim do Colégio, em decorrência da forte correnteza da água.
A Defesa Civil alertou que outras três residências na área desabaram, levando à interdição de 30 imóveis. Os primeiros corpos a serem encontrados foram os de Jaqueline Santos Gomes, de 25 anos, e seus três filhos com idades de 8 meses, 5 e 7 anos.
O coronel Jefferson de Mello, porta-voz dos bombeiros, explicou que o soterramento deixou poucas chances de sobrevivência para as vítimas devido à falta de oxigênio. O volume de terra que desmoronou cobriu a casa onde as vítimas estavam com cerca de dois metros de terra, que foi removida manualmente pelos bombeiros na busca pelos corpos.
Durante o trabalho de resgate, que contou com a participação de 41 bombeiros, o primeiro corpo localizado foi o de Rian Vasconcelos Gomes, que tinha apenas 8 meses. As buscas se prolongaram até a madrugada desta quarta-feira (30), quando Jaqueline foi encontrada sem vida, acompanhada dos corpos de seus filhos, Roberto e Darlei, de 5 e 7 anos, respectivamente. A recuperação dos corpos foi complexa, levando tempo significativo devido à situação delicada do local.

