Foco nas Propostas para a segurança pública
A cinco meses das eleições, o tema da segurança pública se tornou o principal foco das pré-candidaturas à presidência da República. De acordo com estudos recentes, como o da Genial/Quaest, a violência é vista como a maior preocupação dos brasileiros, em uma mudança de perspectiva que atribui ao governo federal a responsabilidade por essa questão crítica.
As campanhas eleitorais estão cientes das demandas dos eleitores, que esperam soluções que vão além das ações estaduais. Aliados do presidente Lula (PT) reconhecem que, nos últimos quatro anos, o governo não conseguiu implementar avanços significativos na área, especialmente em relação à proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que visa coordenar a segurança nacional sob a liderança da União. Esta proposta, que sofreu diversas alterações e atualmente está parada no Senado, é considerada crucial para as ações do governo federal.
Em busca da reeleição, Lula anunciou um conjunto de medidas nesta terça-feira (12), intitulado “Brasil Contra o Crime Organizado”, com um investimento de R$ 11 bilhões. O programa se concentrará em quatro eixos: a asfixia financeira das organizações criminosas, o fortalecimento do sistema prisional, o aumento das taxas de esclarecimento de homicídios e o combate ao tráfico de armas.
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Estratégias dos pré-candidatos
Além de Lula, outros pré-candidatos começaram a delinear suas propostas em resposta ao desafio da segurança. O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfatiza um endurecimento da legislação penal com a revisão de benefícios para crimes graves e a diminuição da maioridade penal. Seu discurso inclui também a ampliação das vagas no sistema prisional e uma maior integração entre as forças de segurança.
Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, se apresenta como um candidato com resultados consolidados em seu estado. Ele planeja apresentar dados que mostram a queda nas taxas de homicídios durante sua gestão, argumentando que pode replicar esse modelo em nível nacional. No entanto, Caiado tem sido crítico da PEC da Segurança Pública, temendo uma perda de autonomia das forças de segurança estaduais.
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Outro nome na disputa, Romeu Zema (Novo), sugere a classificação das facções criminosas como organizações terroristas, medida que já enfrenta resistências, especialmente em relação a potenciais implicações na soberania nacional. Suas propostas incluem a prisão obrigatória de criminosos reincidentes e o endurecimento da legislação penal.
Desafios Futuros na Segurança Pública
Os desafios que o próximo governo enfrentará são complexos e variados. Luís Flávio Sapori, professor da PUC-Minas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que o combate ao crime organizado é uma das principais prioridades. Ele menciona a crescente sofisticação das redes criminosas, que agora envolvem diferentes segmentos da sociedade, incluindo políticos e membros do sistema de justiça.
Os feminicídios e os crimes digitais também são questões emergentes que o novo presidente terá que abordar com urgência. Sapori sugere que uma articulação eficaz entre União, Estados e municípios é essencial para a implementação de um Sistema Único de Segurança Pública, similar ao que já existe no âmbito da saúde pública.
A criação de forças-tarefas para lidar com o crime organizado e a melhoria nas práticas investigativas das polícias civis são outras medidas que, segundo Sapori, devem ser priorizadas. A necessidade de um plano nacional que não apenas amplie as vagas no sistema prisional, mas também melhore as condições de assistência aos detentos, é igualmente crítica.
Enquanto os pré-candidatos esboçam suas propostas e estratégias, a questão da segurança pública se estabelece como um elemento central nas discussões eleitorais, refletindo as preocupações da população e as exigências de uma sociedade que busca soluções eficazes para a violência.

