Intensificação das Diretrizes de vigilância
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, através do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), anunciou a intensificação das diretrizes de vigilância para a hantavirose em todo o território paulista. Até o momento, em 2026, foi registrado um caso da doença desencadeada pelo hantavírus, com a provável infecção ocorrendo em Guariba, na região de Ribeirão Preto.
É importante destacar que essa ocorrência é considerada pontual e não caracteriza um surto. Os dados recentes apontam uma baixa incidência da doença no estado, com quatro casos confirmados em 2022, dois em 2023, dois em 2024, nenhum em 2025 e um caso em 2026.
Vigilância e Transmissão da Hantavirose
O caso diagnosticado em 2026 não está relacionado ao genótipo Andes, que possui ligação com o recente surto em um cruzeiro que partiu da Argentina e ao aumento de registros no país vizinho.
Embora a frequência de casos seja baixa, a hantavirose demanda atenção especial das equipes de saúde, devido à sua evolução rápida e potencial gravidade. A transmissão da doença ocorre principalmente pela inalação de partículas de urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. No Brasil, a enfermidade normalmente se apresenta como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), uma condição que pode levar a complicações respiratórias e cardíacas severas.
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Notificações e Diagnósticos
Desde 2007, São Paulo contabilizou 4.820 notificações de hantavirose, abrangendo tanto moradores do estado quanto casos com provável local de infecção dentro do território paulista. Deste total, 200 foram confirmados, o que representa 4,1% das notificações realizadas.
“O histórico mostra a sensibilidade da rede de vigilância em capturar casos suspeitos, ainda que uma parte significativa seja descartada após investigação. Por isso, estamos reforçando as orientações às equipes de saúde para um diagnóstico precoce quando surgirem suspeitas”, afirmou Tatiana Lang D’Agostini, diretora do CVE-SP.
Investigação e Medidas de prevenção
Após a confirmação laboratorial de um caso, são realizadas investigações epidemiológicas e ambientais para determinar o local provável de infecção, identificar fatores de exposição e avaliar as medidas de prevenção e controle necessárias. Casos suspeitos devem ser comunicados imediatamente aos serviços municipais de Vigilância Epidemiológica para uma investigação e acompanhamento adequados.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
“O Estado mantém uma vigilância constante em relação a doenças de transmissão ambiental, como a hantavirose. A confirmação de um caso exige uma investigação técnica minuciosa, análise dos fatores de exposição e orientações direcionadas aos municípios. Apesar de ser uma doença rara, é crucial que seja identificada precocemente pela rede de saúde”, destacou D’Agostini.
Histórico de Casos no Estado
Em São Paulo, as variantes historicamente associadas à hantavirose são JUQUITIBA e ARARAQUARA. É importante ressaltar que nenhum dos casos humanos registrados apresentou transmissão entre pessoas. A análise territorial indica um padrão de registros em várias regiões do estado desde 2007, com maior concentração em áreas como Ribeirão Preto, Presidente Venceslau, Araraquara e Marília.
A principal estratégia de prevenção consiste em evitar o contato com roedores silvestres e seus excretas (urina, fezes e saliva). A população é aconselhada a manter ambientes limpos, livres de entulho e acúmulo de alimentos, vedando frestas e acessos que possam facilitar a entrada de roedores. Também recomenda-se cautela na limpeza de locais fechados, depósitos, galpões e áreas com sinais de infestações, priorizando a limpeza úmida e a ventilação dos ambientes.
Sinais de Alerta
Pessoas que tiverem contato recente com locais onde há presença de roedores silvestres e que apresentarem sintomas como febre, dores no corpo, mal-estar, náuseas, vômitos, dor abdominal, tosse ou falta de ar devem buscar atendimento médico e informar sobre a possível exposição. A identificação rápida dos sintomas é fundamental para o manejo adequado e o início imediato da investigação epidemiológica.
Histórico e Letalidade
Desde 2007, o estado de São Paulo registrou 196 casos de hantavirose, dos quais 189 foram confirmados por critério laboratorial. O principal método de confirmação utilizado foi o IgM reagente, em conformidade com as manifestações clínicas e o contexto epidemiológico observado.
Considerando o local provável de infecção, o estado contabilizou 164 casos confirmados entre 2007 e 2026, com uma letalidade acumulada de 53% entre os casos confirmados com localização de infecção documentada. Essa estatística ressalta a importância da notificação imediata, da investigação ambiental e do acompanhamento rigoroso dos casos suspeitos pela rede de vigilância.

