Economia solidária e justiça climática ganham destaque na Carta de São Paulo
O Conselho Federal de Economia (Cofecon) e o Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) apresentaram a Carta de São Paulo pela Economia Solidária, Justiça Climática e Transição Socioambiental. O documento propõe novos rumos para o desenvolvimento do Brasil, focando na sustentabilidade ambiental, inclusão produtiva, democracia econômica e na redução das desigualdades sociais.
Essa carta nasceu dos debates promovidos no Seminário Nacional de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Economia Solidária, realizado nos dias 21 e 22 de maio de 2026, em São Paulo. O evento reuniu economistas, pesquisadores, representantes institucionais, movimentos sociais e organizações comprometidas com um modelo de desenvolvimento pautado no trabalho digno, na vida e na preservação do meio ambiente.
Desafios estruturais e a necessidade de transformação econômica
Segundo a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, ainda existe uma resistência em reconhecer a economia solidária como produtiva e merecedora de políticas públicas ativas, mesmo diante do tamanho do mercado informal no país. “A economia precisa responder às necessidades reais da sociedade, integrando desenvolvimento econômico, justiça social e preservação ambiental”, afirma Tania.
O documento aponta que problemas como a crise climática, insegurança alimentar, precarização do trabalho, perda da biodiversidade e desigualdades crescentes não podem ser enfrentados isoladamente. Para os conselhos, é imprescindível uma mudança estrutural na forma como o Brasil produz, consome, distribui riqueza e organiza suas políticas econômicas.
A Carta de São Paulo ressalta que não há sustentabilidade sem justiça social, nem desenvolvimento duradouro sem preservação ambiental. Essa articulação deve ser a base para qualquer política pública eficaz.
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Economia solidária como estratégia para a transição socioambiental
O documento reconhece a economia solidária como elemento central para a transição socioambiental brasileira. Destaca experiências práticas como cooperativismo, agroecologia, finanças solidárias, tecnologias sociais e autogestão, que têm mostrado nos territórios brasileiros a possibilidade de um modelo econômico voltado para a vida, e não apenas para a acumulação de capital.
Essa iniciativa ganha ainda mais relevância após a aprovação da Política Nacional de Economia Solidária, instituída pela Lei nº 15.068/2024, que estabelece princípios como autogestão, cooperação, comércio justo, gestão democrática, desenvolvimento territorial sustentável e preservação ambiental como fundamentos da economia solidária.
Diretrizes para fortalecer a economia solidária e a justiça climática
A carta apresenta dez diretrizes que guiam a agenda pública para fortalecer a economia solidária. Entre elas, estão o aumento do financiamento, assistência técnica, incubadoras, compras públicas e apoio a cooperativas e iniciativas comunitárias.
Além disso, o documento propõe incorporar a justiça climática como eixo central das políticas econômicas nacionais, reconhecendo que os impactos ambientais afetam de forma desigual populações vulneráveis e territórios específicos. Incentiva também a agroecologia, as cadeias curtas de produção e consumo, a soberania alimentar e práticas produtivas regenerativas.
Valorização do trabalho, finanças solidárias e indicadores socioambientais
A Carta defende a valorização do trabalho digno, a proteção social e a economia do cuidado, especialmente frente às transformações tecnológicas e à automação. Também destaca a importância do fortalecimento de bancos comunitários, moedas sociais e finanças solidárias.
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Um ponto inovador do documento é a proposta de construção de indicadores econômicos que superem o PIB, incorporando dimensões sociais, ambientais, culturais e de bem-viver, ampliando a forma como o desenvolvimento é medido.
Compromissos internacionais e participação social
A carta conecta a agenda nacional aos compromissos internacionais do Brasil, especialmente nos debates da COP30, defendendo uma transição socioambiental alinhada às metas climáticas globais. O país deve assumir papel ativo na formulação de soluções que priorizem a vida, os territórios e a justiça climática.
O documento também destaca a importância da participação social na formulação, monitoramento e avaliação das políticas públicas ambientais e econômicas. Ressalta o respeito aos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e populações periféricas, reconhecendo seus conhecimentos como essenciais para o equilíbrio ecológico e a sustentabilidade das futuras gerações.
Sobre o Cofecon e o Corecon-SP
O Conselho Federal de Economia (Cofecon) e o Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) fazem parte do sistema profissional dos economistas no Brasil. Atuando na fiscalização e valorização da profissão, eles promovem o debate econômico e contribuem para a formulação de políticas que visam o desenvolvimento nacional sustentável e inclusivo.

