A Virada na Carreira de Brunno
Brunno, um advogado de Ribeirão Preto (SP), decidiu deixar sua carreira para trás e se dedicar a uma paixão que sempre o acompanhou: a coleção de camisas de futebol. Em busca de uma forma de juntar dinheiro para viajar com sua esposa durante o Carnaval, ele resolveu vender parte de sua coleção. “Eu tinha muita camisa e queria viajar com minha esposa no Carnaval. Começo de ano, IPVA… aqueles custos. Aí decidi vender as camisas. Queria R$ 1,2 mil em um pacote com 15, mas vendendo separado acabei lucrando R$ 3 mil. Comecei a oferecer antes mesmo de criar minha loja. Foi dando certo”, conta Brunno.
O que parecia ser apenas uma venda pontual logo se transformou em um negócio: a demanda cresceu, e Brunno decidiu abrir sua própria loja. Ao pedir demissão do escritório de advocacia, ele viu sua renda ultrapassar o que ganhava anteriormente. “Eu estava trabalhando, mas sentia que estava perdendo tempo, porque não conseguia organizar as camisas, tirar fotos, pesquisar. Hoje minha renda já é maior com a loja, embora eu ainda faça alguns freelas. Acredito que 80% do meu dinheiro vem das camisetas”, revela.
Eventos que Celebram a Cultura do Futebol
Não satisfeito apenas em vender online, Brunno deu um passo a mais e, em 2025, organizou suas primeiras feiras de camisas de futebol em um bar de Ribeirão Preto, famoso por ser frequentado por Sócrates, ídolo do Corinthians e do Botafogo-SP. A ideia surgiu após visitar uma feira em São Paulo e perceber o potencial desse tipo de evento. “Comecei a pesquisar muita coisa de São Paulo. Eles fazem muita feira. Sempre quis participar, mas achava o círculo meio fechado e também pela logística. Decidi que seria legal fazer no Empório Brasília, que tem um anexo legal e claro, também por toda a história do Sócrates, de ser o bar dele, ter a mesa que ele sempre usava. Falei com os donos e deu certo”, explica.
As feiras organizadas por Brunno atraíram centenas de pessoas, proporcionando um espaço para que os amantes da cultura do futebol se reunissem e trocassem experiências. A interação entre colecionadores e fãs é uma das partes mais gratificantes para ele. “É incrível ver a paixão das pessoas, como elas se emocionam ao encontrar uma camisa que há muito buscavam”, afirma.
Relíquias e Recordações da Coleção
Brunno não só vende camisas, mas também nutre uma coleção que é um verdadeiro tesouro para os aficionados. Entre suas relíquias está uma camisa do Corinthians autografada por Neto e Casagrande, dois ídolos do clube. Ele, que tinha essa camisa guardada por anos, revela como foi o processo para obter as assinaturas. “Eu tinha essa camisa guardada. Aí passei para minha cunhada, que trabalha com o Neto. Ela ficou meses com ela na bolsa, até encontrar ele. E ele ainda colocou meu nome no autógrafo. Depois fui atrás do Casagrande. Outra cunhada levou cinco, seis meses até ela encontrar ele em um evento. Só peguei a camisa de volta depois de um ano”, relembra.
O Começo de uma Paixão que Perdura
A paixão de Brunno por camisas de futebol começou na infância. Desde pequeno, ele era um fervoroso torcedor do Corinthians, e sua primeira peça da coleção foi um presente do avô: uma camisa do Timão de 1995, época em que Marcelinho Carioca se destacou. “Desde pequeno, eu tinha muita camisa do Corinthians. Muitas camisas. Aliás, era o que eu mais colecionava. Aí, depois com tempo, pensando mais em camisas de seleção. Meu avô me deu em 1995. Tenho até hoje, da época do Marcelinho Carioca. Depois parei, porque casei e vieram outras prioridades”, diz.
Com o crescimento de seu negócio, a paixão por camisas de futebol voltou a ser um foco na vida de Brunno, que agora projeta um futuro ainda mais promissor para suas feiras, incluindo a participação de mais expositores e atrações diversificadas além dos uniformes. Sua trajetória é uma prova de que, quando se une paixão e empreendimento, os resultados podem ser inspiradores e lucrativos.

