A Nova Abordagem na Judicialização da Saúde
A judicialização da saúde no Brasil enfrenta uma situação crítica, com mais de 900 mil processos ativos. A baixa taxa de acordos, que chegou a apenas 2,1% em 2025, evidencia a urgência de uma mudança na abordagem. A iniciativa Concilia+Saúde, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), busca transformar conflitos em soluções consensuais, promovendo a colaboração entre os diferentes setores envolvidos. O principal objetivo do programa é reduzir litígios desnecessários e assegurar o acesso efetivo a tratamentos, ressaltando a importância do diálogo tanto em sistemas públicos quanto privados de saúde.
O panorama judicial atual reflete uma pressão crescente sobre o sistema de saúde, onde a confiança no Judiciário é alta, mas as falhas na implementação de políticas públicas revelam um paradoxo. Os cidadãos buscam judicialmente direitos que deveriam ser garantidos de forma administrativa, o que torna a situação ainda mais alarmante.
Desafios e Avanços no Sistema de Saúde
Um dos dados mais preocupantes é a taxa de acordos nas ações judiciais relacionadas à saúde. Em 2025, apenas 2,1% das ações resultaram em conciliações, um índice muito abaixo da média nacional de 10%. Essa realidade é ainda mais crítica em um contexto onde o tempo é essencial para a recuperação dos pacientes, uma vez que a judicialização muitas vezes resulta em litígios prolongados e desgastantes.
Ainda que tenham ocorrido avanços significativos, como a criação de critérios objetivos para a concessão de medicamentos e uma maior ênfase na medicina baseada em evidências, persistem altos índices de litígios que poderiam ser evitados. Muitas das demandas judiciais envolvem medicamentos já reconhecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou questões já pacificadas na saúde suplementar, o que aponta para falhas regulatórias e operacionais.
Semana Nacional da Saúde e a Experiência do Concilia+Saúde
Diante desse cenário desafiador, o CNJ realizou a 2ª Semana Nacional da Saúde, que começou na segunda-feira e finaliza hoje, promovendo mutirões de conciliação em todo o Brasil. Mais do que uma ação pontual, essa iniciativa serve como um laboratório para o desenvolvimento de uma política de conciliação mais abrangente. O Concilia+Saúde pretende estabelecer um modelo permanente de resolução consensual de conflitos, com a participação ativa de diferentes atores sociais.
O programa parte do princípio de que o direito à saúde se concretiza não apenas através de decisões judiciais, mas também pelo diálogo e pela cooperação mútua. As análises iniciais já identificaram milhares de processos que podem ser resolvidos por meio de conciliação, demonstrando o potencial dessa abordagem para se transformar em uma política contínua.
Direitos à Saúde e o Diálogo como Solução
No setor público, a ênfase recai sobre as demandas que devem ser resolvidas administrativamente, como o fornecimento de medicamentos já incorporados ao SUS. No setor de saúde suplementar, há um espaço amplo para acordos relacionados a temas já consolidados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e pela jurisprudência, evitando litígios desnecessários e proporcionando soluções mais rápidas.
Um dos principais desafios a ser enfrentado é cultural. A transição de um modelo focado no litígio para um que prioriza o diálogo exige um forte engajamento institucional, além de incentivos e a construção de confiança mútua. A conciliação deve ser encarada como uma política pública de cuidado, capaz de transformar conflitos em soluções rápidas e eficazes, garantindo assim o direito à saúde efetiva para todos.
O Futuro da Judicialização da Saúde
O futuro da judicialização da saúde não deve se basear na ampliação do litígio, mas sim na sua qualificação. Essa discussão é fundamental para o equilíbrio do sistema de saúde e para sua capacidade de responder de maneira sustentável às demandas da sociedade. O Concilia+Saúde representa esse novo caminho: um espaço para maior cooperação, racionalidade e efetividade. Em suma, busca-se promover mais saúde para todos.

