Romário aponta falta de atitude como principal problema na seleção
O desempenho da seleção brasileira na estreia da Copa do Mundo deixou a desejar, e para Romário, um dos maiores nomes do futebol nacional, a raiz da frustração está na postura dos jogadores em campo. Em entrevista à Folha de S.Paulo, direto de Nova York, o ex-atacante ressaltou que muitos convocados por Carlo Ancelotti não conseguem reproduzir o futebol apresentado em seus clubes quando vestem a camisa da seleção. “Nem um pouco”, disse ele, destacando a discrepância entre os desempenhos.
Romário ressaltou que a principal questão é a falta de atitude, especialmente evidenciada no empate por 1 a 1 contra Marrocos, no último sábado (13). “Falta atitude nesses caras quando eles vestem a camisa da seleção brasileira”, afirmou, evidenciando sua insatisfação com o rendimento no primeiro tempo da partida.
Oscilações de Vinicius Júnior e a expectativa por Raphinha
O ex-camisa 11 citou Vinicius Júnior como exemplo dessa oscilação entre clubes e seleção, embora tenha mostrado confiança na evolução do atacante do Real Madrid. “O Vini que a gente quer é aquele Vini que jogou contra o Marrocos”, explicou Romário, ressaltando que espera uma melhora no desempenho do jogador.
Além disso, Romário destacou Raphinha como um atleta com potencial para dar um “estalo” dentro de campo. “Eu acredito que ele vai mudar a atitude dentro do jogo”, disse, demonstrando esperança em uma reação significativa do atacante durante a competição.
Ausência de liderança e críticas a Ancelotti
Romário também comentou sobre a falta de liderança visível no elenco brasileiro. Para ele, nomes apontados como líderes, como Marquinhos e Casemiro, não passam essa confiança dentro de campo. “Não vejo liderança nesse time do Brasil. As pessoas falam que o Marquinhos pode ser líder, o Casemiro pode ser líder. Cara, não vejo isso não”, reclamou.
Leia também: Copa do Mundo 2024: Entenda as Regras para Pendurar a Bandeira do Brasil no Condomínio
Fonte: olhardanoticia.com.br
Leia também: Esportes da Sorte lança mega ação integrada na Copa do Mundo 2024
Fonte: soupetrolina.com.br
Apesar das críticas, o ex-jogador não coloca toda a responsabilidade nos ombros do treinador Carlo Ancelotti. Romário acredita que, apesar do prestígio do técnico italiano, são os jogadores que carregam a responsabilidade principal pelo desempenho em campo. “O treinador não faz gol. E o treinador bom, na minha opinião, é aquele que não atrapalha. Por mais que ele tenha sua relevância, seu tamanho, seu peso, quem ganha jogo são os jogadores”, avaliou.
Por outro lado, Romário considerou precipitada a renovação do contrato de Ancelotti antes do término da Copa do Mundo. “Uma atitude muito ruim. Eu não renovaria antes de terminar a Copa do Mundo”, afirmou, questionando o cenário de uma possível eliminação precoce e a permanência do treinador na seleção.
Reação esperada e postura da seleção
Outro ponto levantado pelo ex-atacante foi a declaração do técnico italiano sobre a necessidade da seleção ter medo para alcançar o sucesso, opinião que o ex-jogador rechaçou veementemente. “A seleção não pode ter medo de ninguém, não existe ter medo de ninguém. Se você entra com medo de algum adversário, tu já entra perdido”, disse Romário, ressaltando que o respeito deve existir, mas o medo não.
Para ele, a seleção brasileira perdeu o respeito que antes impunha aos adversários. “Hoje você pode vencer o Brasil jogando futebol do jeito que o Marrocos jogou”, declarou, apontando para uma mudança no cenário competitivo.
Propostas de mudanças na equipe e futuro na Copa
Visando a sequência do torneio, Romário defende a inclusão de jogadores mais jovens e dinâmicos. Ele citou Endrick e Rayan como opções que poderiam trazer mais gols para a seleção. “Eu colocaria o Endrick ou o Rayan. Os dois são fazedores de gol. Um é mais forte e o outro é mais técnico, mas os dois sabem fazer gol”, comentou.
Além disso, o ex-atacante defendeu a utilização de Neymar, caso o camisa 10 esteja em condições clínicas para atuar contra o Haiti, na sexta-feira (19).
Apesar dos desafios, Romário acredita que uma campanha vitoriosa na Copa da América do Norte ainda poderia mobilizar o país e proporcionar alegria aos brasileiros, que enfrentam diversas dificuldades atualmente. “A Copa do Mundo tem esse poder no nosso país. Faz com que o brasileiro possa esquecer um pouco essas coisas que vêm acontecendo negativamente e sorrir”, afirmou.
Distância entre seleção e torcida
Por fim, Romário destacou a crescente distância entre a seleção e o público brasileiro. Para ele, a atual geração de jogadores não compreende totalmente o impacto que uma conquista mundial tem para além do esporte. “A seleção brasileira não consegue conectar com o povo. Esse é um problema sério. Essa conexão não acontece”, lamentou, reforçando que a importância de uma vitória na Copa ultrapassa o futebol.
Enquanto acompanha o Mundial, Romário segue exercendo seu mandato como senador e também atua como comentarista em algumas partidas, conciliando as atividades com o trabalho legislativo, conforme informado por seu gabinete.

