Durante mais de 60 anos, a história da seleção brasileira em Copas do Mundo foi narrada quase exclusivamente através dos clubes do Brasil. O domínio do futebol nacional refletia-se na seleção, que acumulava conquistas e prestígio. No entanto, entre 1990 e 2002, esse cenário começou a mudar, e o São Paulo se destacou como o último clube brasileiro a brilhar nesse período de transformação.
São Paulo se destaca no ranking das Copas
A nova etapa da série do GLOBO reconta a trajetória da seleção brasileira a partir dos clubes que mais contribuíram para as campanhas do Brasil em Copas do Mundo. O ranking elaborado considera convocações, jogos disputados, gols marcados e os clubes que formaram os atletas. Nesse contexto, o São Paulo se consolidou como líder, especialmente durante os triunfos do tetra em 1994 e do penta em 2002.
A presença de clubes estrangeiros
Um dado simbólico dessa era é a presença inédita de clubes estrangeiros em todos os pódios das Copas analisadas. O La Coruña, que contou com Bebeto e Mauro Silva, ficou com o vice-campeonato em 1994. Em 1998, o Barcelona, com Ronaldo, conquistou o terceiro lugar, enquanto a Internazionale levou o Brasil ao topo novamente em 2002. Além desses, clubes como Milan, Bayer Leverkusen, Roma e PSG começaram a se firmar na história da seleção brasileira. Esse fenômeno indicava que, embora o Brasil ainda vencesse Copas, os clubes brasileiros já começavam a perder seus craques para o futebol europeu.
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O papel do São Paulo nas conquistas
O São Paulo se destacou nesse contexto por sua contribuição fundamental nos dois títulos mundiais do período. Em 1994, o clube teve jogadores importantes na campanha do tetra, como Cafu, Leonardo, Muller e Zetti, que, embora fosse reserva, fez parte do elenco. Já em 2002, o São Paulo voltou a se fazer presente com Kaká, Rogério Ceni, Belletti e uma geração de atletas que começava a se espalhar pelo futebol europeu. Cafu, em particular, simboliza essa transição, sendo revelado e consagrado pelo São Paulo, mas já se tornando uma estrela global ao levantar a Copa do Mundo pela segunda vez.
A internacionalização da seleção
Com a internacionalização da seleção brasileira, a força da formação de jogadores passou a ter um peso significativo no ranking, alterando completamente a lógica da disputa histórica. O Flamengo, por exemplo, venceu o ranking da Copa de 1998, mesmo com apenas dois convocados e um único titular direto na seleção. O que impulsionou o clube foi a quantidade de jogadores revelados em suas categorias de base. Entre eles estavam Aldair, Júnior Baiano, Leonardo e Gonçalves, que estiveram presentes naquele Mundial. Essa dinâmica refletiu o Brasil tentando se manter relevante no cenário internacional, mesmo enquanto seus principais talentos migravam cada vez mais cedo para a Europa.
A transição para a era europeia
A partir de 2006, a transformação se tornaria definitiva, e o ranking dos clubes que mais contribuíram para a seleção brasileira começaria a se assemelhar a uma Champions League. Entretanto, antes dessa invasão completa da elite europeia, o São Paulo teve um último respiro nacional. O clube que venceu a última era brasileira do ranking foi também aquele que derrotou gigantes como Barcelona e Milan nos Mundiais Interclubes de Tóquio, em 1992 e 1993, quando o futebol brasileiro ainda competia em igualdade com os europeus.
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O legado do São Paulo
Essa simetria histórica é notável, pois, alguns anos depois, a seleção brasileira conquistou seu pentacampeonato no Japão, em 2002. Esse título marcou o último grande momento da seleção nos Mundiais. O São Paulo, portanto, representa essa transição crucial no futebol brasileiro, sendo um símbolo da resistência e da excelência nacional antes da plena internacionalização da seleção.
O próximo capítulo dessa história será explorado em 17 de maio, revelando a geração que se estende de 2006 a 2022.

