Investimento e inovação para o setor de terras raras
Manaus está prestes a se tornar o epicentro da industrialização das terras raras no Brasil, com um projeto da BBX do Brasil, subsidiária da australiana Brazilian Critical Minerals, que prevê a criação do primeiro polo nacional para o processamento desses elementos estratégicos. O investimento inicial estimado é de R$ 400 milhões, com a expectativa de início das operações de refino já em 2030, na Zona Franca de Manaus.
Apesar de o Brasil abrigar a segunda maior reserva mundial de terras raras — elementos essenciais para tecnologias avançadas como baterias, carros elétricos e equipamentos eletrônicos —, ainda não há refinarias em escala industrial no país. A iniciativa de industrializar esses minerais em Manaus ganha força especialmente após a reeleição do presidente Lula (PT), que defende a redução da exportação de matéria-prima bruta, optando por estimular a transformação local.
Política nacional e incentivos fiscais impulsionam o setor
Um dos fatores que aceleraram o projeto foi a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), instituída pelo governo Lula em setembro. Entre as ações está a concessão de créditos fiscais de até 20% sobre a CSLL para atividades de beneficiamento e transformação mineral, incluindo as terras raras. Além disso, o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) foi estabelecido para mitigar riscos e ampliar investimentos, com aportes previstos de até R$ 2 bilhões da União, além de contribuições de estados, municípios e setor privado.
Com o apoio dessas medidas, a BBX do Brasil intensifica negociações com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e com o governador eleito Omar Aziz (PSD), que assumirá em janeiro de 2027, para viabilizar o polo industrial na região.
Exploração e processamento: etapas do projeto em Manaus
A extração das terras raras em Apuí, no sul do Amazonas, deve começar já no próximo ano. Enquanto isso, a empresa planeja a instalação da planta de processamento na Zona Franca de Manaus para 2030. A matéria-prima inicialmente será exportada para mercados importantes como Estados Unidos, Europa e Japão.
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O projeto prevê o uso de tecnologias avançadas de separação e purificação, incluindo métodos de extração por solventes, transformando os minerais em produtos com maior valor agregado. A expectativa é que a unidade em Manaus também receba insumos de outros projetos brasileiros, posicionando o Amazonas como um polo nacional no setor de terras raras.
Impacto econômico e geração de empregos
Embora a planta de refino seja altamente automatizada, a BBX estima a geração de entre 60 e 80 empregos diretos e cerca de 300 indiretos. Segundo o diretor técnico da empresa, Antônio de Castro, as funções serão de alto valor agregado, reforçando a importância econômica do projeto para a região.
Além disso, a disponibilidade de terras raras processadas localmente pode atrair indústrias de tecnologia e fabricação de componentes para motores elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de geração de energia e automação industrial, potencializando o desenvolvimento econômico regional e nacional.
Suprimentos estratégicos e logística
Em outubro, a Brazilian Critical Minerals adquiriu 90% da Sais Nordeste, em Feira de Santana (BA), produtora de sulfato de magnésio, insumo essencial para a extração das terras raras em Apuí. O sulfato e os materiais brutos serão transportados por via terrestre até Porto Velho (RO), onde ocorre o processamento básico para gerar o carbonato, concentrado que segue pelo rio Madeira até Manaus para exportação.
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O projeto logístico pode ser ajustado conforme a recuperação da BR-319 e da estrada para Novo Aripuanã, no sul do Amazonas, oferecendo alternativas para o transporte fluvial direto até Manaus e maior eficiência no escoamento da produção.
Licenciamento ambiental e próximas etapas
A BBX do Brasil aguarda a licença ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), etapa fundamental para iniciar a construção da planta em Apuí. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já formalizou um acordo que permite o acesso à área de exploração, facilitando a liberação da licença pelo Ipaam.
Com a aprovação esperada para os próximos 30 a 60 dias, a empresa planeja começar as obras em março. A licença ambiental é também requisito para a autorização da Agência Nacional de mineração (ANM), que deve ser concedida sem maiores dificuldades.
Este projeto representa um avanço significativo para a cadeia produtiva das terras raras no Brasil, traduzindo políticas públicas e investimentos em resultados concretos para a economia regional e nacional, com reflexos práticos na geração de empregos, atração de indústrias e fortalecimento da Zona Franca de Manaus como polo tecnológico.

