Desafios do Setor Agropecuário Brasileiro
RIBEIRÃO PRETO E SÃO PAULO – O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, manifestou nesta segunda-feira, 27, sua preocupação com a situação dos produtores rurais no Brasil, afirmando que os juros estão tão elevados que chegam a “beirar a extorsão”. Durante sua fala na 31ª edição da Agrishow, Melo Filho advertiu que a situação financeira crítica dos agricultores pode levar a uma “reforma agrária” não planejada, resultando na perda de terras para instituições bancárias e credores.
O secretário criticou a atual política agrícola do governo federal, destacando que o Plano Safra perdeu a importância e que os produtores estão à mercê de suas próprias estratégias. “Os recursos destinados ao seguro rural, que já eram escassos, desaparecem do orçamento na primeira ação de contingenciamento. E o crédito, quando é disponibilizado, carrega taxas superiores a 20%”, afirmou.
Um Cenário Agrícola Contraditório
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Melo Filho enfatizou que o setor agropecuário brasileiro vive um paradoxo: enquanto as colheitas estão em níveis recordes e há um aumento nas exportações, os produtores enfrentam uma realidade repleta de promessas não cumpridas. “Este setor sustenta a economia nacional, mas ao contrário de anos anteriores, a atual liderança não demonstra interesse genuíno pelas questões que afetam nossos agricultores. Hoje, a falta de ação efetiva cria um ambiente insustentável, onde os juros exorbitantes se tornam um fardo insuportável para quem busca crédito para cultivação e para sustentar suas famílias”, ressaltou o secretário.
Apesar dos desafios, Melo Filho reafirmou a determinação dos agricultores. “O que mantém o agro brasileiro ativo é a habilidade e a resiliência do produtor rural, mesmo sob um sistema que impõe pesados encargos. A cada dificuldade, o produtor se reinventa, planta novamente e atinge novas marcas de produção, mas isso não pode durar para sempre”, alertou.
Inadimplência e Recuperação Judicial em Alta
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O secretário também chamou atenção para o aumento preocupante da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial no campo. “Estamos testemunhando não apenas recordes de safras, mas também novos recordes de inadimplência e recuperação judicial”, afirmou Melo Filho.
Ele criticou a postura do governo federal, sugerindo que a intenção não é necessariamente reformar o campo, mas sim confiscar os esforços dos produtores. “Estão substituindo uma reforma agrária ideológica por uma expulsão financeira dos agricultores de suas próprias terras. O produtor agora convive com um Estado que se tornou um sócio oculto, mas que não compartilha os riscos e exige resultados, que aparecem em tempos de sucesso e desaparecem durante as crises”, concluiu.

