Transição e Novos Rumos no Comercial
Tiago Pires, o recém-chegado dirigente do Comercial, assume o clube em um momento delicado de transição, marcado pela saída do presidente Antônio Campanelli e a ascensão do vice, Wesley Rios, que se prepara para concorrer à presidência nas eleições agendadas para agosto. Em meio a essa mudança de diretoria, o Comercial permanece como um clube associativo, mas já discute internamente a possibilidade de se transformar em uma Sociedade Anônima do futebol (SAF).
As negociações para essa transição, que se intensificaram no final de 2025, não tiveram progresso significativo até agora. Contudo, tanto o Conselho Deliberativo quanto a nova gestão demonstraram que o tema será uma prioridade nas próximas reuniões. Tiago Pires, que antes de chegar ao Comercial teve uma experiência fundamental no Operário-MS, traz consigo uma bagagem valiosa adquirida durante a transição daquele clube para o modelo SAF.
Durante sua passagem pelo Operário-MS, Tiago Pires ajudou o clube a conquistar o título de bicampeão sul-mato-grossense em 2025 e 2026, o que lhe proporcionou uma visão aprofundada sobre a gestão esportiva. Ele comentou sobre a importância de entender o modelo de gestão ao dizer: “Quando houve essa condição do Operário passar pela transição de SAF, eu fui primeiro entender o modelo de gestão. Fui estudar sobre o assunto até para poder me preparar. Implementação de controles e processos, e você gerir responsabilidades, é isso.”
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Segundo Pires, a abordagem no futebol associativo muitas vezes pode ser impulsiva, tomada em momentos de emoção. Ele ressalta que, ao contrário disso, na gestão empresarial, a cobrança por resultados se torna mais rígida e direta. “Porque no associativo, às vezes, a gente toma muito a decisão no calor da emoção e a gente não é cobrado no final da história”, explicou o dirigente. Essa diferença de abordagem, segundo ele, é crucial para uma administração eficaz.
Desafios e Expectativas
O cenário atual do Comercial ilustra bem a complexidade da gestão esportiva no Brasil. A transição para uma SAF pode trazer benefícios como a profissionalização da administração e uma maior responsabilidade financeira. Porém, também exige uma mudança de mentalidade tanto dos dirigentes quanto dos associados. A expectativa é que essa nova fase, caso implementada, traga não apenas estabilidade financeira, mas também um desempenho esportivo mais consistente.
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Tiago Pires acrescentou que sua experiência no Operário-MS não apenas lhe deu conhecimento técnico, mas também uma compreensão emocional e prática sobre as dinâmicas de um clube durante uma transição significativa. Ele enfatiza que a estrutura organizacional sólida e a definição clara de processos são fundamentais para o sucesso de um clube em qualquer modelo de gestão.
À medida que o Comercial se prepara para um novo capítulo, a liderança de Pires será testada nas decisões que moldarão o futuro do clube. O foco em resultados, tanto dentro de campo quanto fora dele, será uma das prioridades. Com a proximidade das eleições e a discussão em torno da SAF, o dirigente tem um grande desafio pela frente: transformar ideias em ações concretas que possam levar o Comercial a um novo patamar.

