Um Crime Marcado pela Violência
Doce, meiga e sempre com um sorriso no rosto. Essa é a lembrança que Lorena Freitas guarda da irmã, Fabiana Cristina Lacerda Batista, de 42 anos, brutalmente assassinada pelo ex-marido, Paulo Henrique Batista, na noite de sábado (2) em Barrinha, São Paulo. O trágico incidente ocorreu quando as irmãs estavam dentro do carro, após chegarem ao Jardim Paulista, onde Lorena, que é cantora, se apresentaria.
“Meus sobrinhos estão sem mãe, nós estamos sem uma irmã. Eles perderam a mãe, eu perdi minha irmã, minhas filhas perderam a tia. Nunca mais teremos o sorriso dela, a pessoa mais doce e pura deste mundo”, desabafou Lorena em uma entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo. Fabiana havia se mudado de Minas Gerais para Barrinha há quase três meses, após terminar um relacionamento conturbado de 25 anos com Paulo.
Com pesar, Lorena relembra que a irmã sempre aparecia em sua casa com um sorriso genuíno, mesmo diante de tantas dificuldades. “Ela vinha todos os dias almoçar aqui e sempre estava radiante. Falava que esses últimos dois meses e meio tinham sido os mais felizes de sua vida”, disse.
Um Trágico Destino
Fabiana foi assassinada com ao menos seis disparos. Paulo, que viajou 200 quilômetros de Itaú de Minas (MG) até Barrinha, aguardava pela ex-mulher em um local estratégico, localizando-a possivelmente através das redes sociais. Ele estava presente uma hora antes do crime, como indicam imagens de câmeras de segurança.
Após o crime, a Delegacia Seccional de Sertãozinho registrou o caso como feminicídio e ameaça. Embora Fabiana tivesse uma medida protetiva contra Paulo, ele já havia sido preso anteriormente por ameaçá-la com uma faca. Infelizmente, ele foi liberado no dia seguinte durante audiência de custódia, o que intensificou o sentimento de insegurança da vítima.
“Ela tinha medo dele. Estava fazendo acompanhamento psiquiátrico e tomando medicação. Nos primeiros meses, passava por crises de pânico e tinha receio de sair na rua. Mas as coisas começaram a mudar e ela estava mais tranquila, com emprego e até planos de voltar a estudar”, ressaltou Lorena.
Ameaças que Persistem
Mesmo após a separação, Paulo continuou a ameaçar Fabiana, enviando mensagens para os filhos do casal pelas redes sociais. Em uma dessas comunicações, ele teria dito ao filho: “Você não vai me ajudar a falar com a sua mãe? Você vai se arrepender do peso que vai carregar pelo resto da sua vida. O conto de fadas vai acabar, e o final sou eu quem coloco”.
O sepultamento de Fabiana aconteceu na segunda-feira (4) em Itaú de Minas, e a defesa de Paulo ainda não foi localizada para prestar esclarecimentos sobre o caso.
O crime ocorreu por volta das 20h, na Avenida Costa e Silva, onde Lorena e Fabiana foram abordadas por Paulo enquanto estavam no carro. “Ele chegou e colocou a arma na minha cabeça, me agarrou e foi em direção à Fabiana. Enquanto disparava, ele gritou que a próxima da lista era eu”, relembrou Lorena, visivelmente abalada.
Após o disparo, Paulo tentou escapar, mas foi atropelado por testemunhas que presenciaram a cena. A Polícia Militar foi acionada e o criminoso foi levado sob custódia para a Santa Casa, enquanto a arma utilizada no crime e o veículo passaram por perícia.
Esse lamentável acontecimento não é apenas mais uma estatística de feminicídio, mas um exemplo da urgência em abordar a questão da violência contra a mulher e a necessidade de um suporte mais eficaz para as vítimas. O caso de Fabiana deve ser um chamado à ação para todos nós.

