Análise das Implicações do PL da Dosimetria
A recente decisão de derrubar o veto do presidente Lula ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria reacendeu um intenso debate que vai além do âmbito da política criminal e adentra as profundezas da Constituição. Especialistas e juristas têm levantado preocupações sobre possíveis violações ao princípio da individualização da pena, conforme previsto no artigo 5.º, inciso XLVI, da Carta Magna. Isso se deve ao fato de que o projeto impõe critérios rígidos e generalizantes, limitando a discricionariedade do juiz na análise de casos concretos.
Outro ponto que merece destaque é a significativa redução das penas para crimes que atingem o Estado Democrático de Direito. Essa questão gera dúvidas sobre a proporcionalidade das respostas penais, podendo configurar uma proteção insuficiente a bens jurídicos fundamentais, como a própria democracia. Além disso, a segurança jurídica também é uma preocupação em ascensão, especialmente com a possibilidade de reexaminar situações já decididas judicialmente, em potencial desacordo com o artigo 5.º, inciso XXXVI, da mesma Constituição.
Um aspecto ainda mais controverso é a crítica de que o projeto foi arquitetado com o intuito de beneficiar os responsáveis pelos ataques de 8 de janeiro, especialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa alegação, se confirmada, poderia violar de forma flagrante o princípio da impessoalidade, consagrado no artigo 37. Diante de toda essa controvérsia, o governo já anunciou a intenção de levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF), que terá a responsabilidade de decidir se o legislador respeitou os limites constitucionais ou se, ao contrário, os ultrapassou, comprometendo garantias fundamentais e a integridade do Estado de Direito.
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Fidelidade ao Fisiologismo na Política Brasileira
Em outro tema relevante, o artigo de Fernando Schüler, publicado na seção de A opinião do Estadão, ressalta a questão da fidelidade à Constituição, mas falta ao seu diagnóstico abordar uma patologia histórica de nossa República: a fidelidade ao fisiologismo. Há anos, a lealdade de muitos agentes dos Três Poderes não se dá à lei ou à ideologia, mas a privilégios e interesses pessoais.
Para romper esse ciclo vicioso, é imprescindível que o STF atenha-se rigorosamente à letra da Constituição, evitando usar a “defesa da democracia” como justificativa para extrapolar suas funções. O Congresso, por sua vez, deve focar na sua função legislativa e no controle efetivo dos demais Poderes, enquanto o Executivo precisa se limitar à execução do programa que foi aprovado nas urnas. O verdadeiro triunfo só ocorrerá quando a função pública passar a servir ao cidadão, e não aos interesses pessoais de quem a ocupa.
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Trânsito e Segurança dos Pedestres em Debate
Em um contexto que reflete a urgência de discutir a segurança no trânsito, o artigo de Miguel Reale Júnior destaca dados alarmantes sobre mortes no trânsito e seus efeitos na saúde pública. Entretanto, além dos números estarrecedores, a análise sobre o comportamento no trânsito revela uma cultura que incentiva a velocidade em detrimento da segurança. A luta por um espaço público que proteja os pedestres é uma questão cada vez mais urgente. A falta de respeito ao sinal verde para os pedestres evidencia um problema maior: a desvalorização da vida humana e a falta de responsabilidade no trânsito.
São muitos os pedestres que, ao atravessarem uma via importante, se veem à mercê da imprudência de motoristas, motociclistas e até ciclistas, que não respeitam as sinalizações. Essa realidade mostra que, muitas vezes, o direito de ir e vir é desconsiderado em favor de uma cultura de pressa e competição. O Estatuto do Pedestre precisa ser mais do que uma letra fria; deve ser uma realidade da vida urbana.
Reflexões sobre o Político e o Social no Brasil
A questão política no Brasil é complexa e multifacetada. Diferentes opiniões emergem sobre a atuação dos políticos, como no caso da recente derrota de Jorge Messias no Senado, que indica uma fragilidade do presidencialismo de coalizão. Ao longo das últimas décadas, esse sistema perdeu força e agora, tanto na execução orçamentária quanto em outros aspectos, o Congresso parece ter assumido um papel mais proeminente do que a Presidência da República.
Além disso, a crítica ao governo Lula não se limita a um único ponto; a insatisfação da população com questões fundamentais como segurança, saúde e alimentação é crescente. O que se observa é uma desconexão entre as promessas feitas durante a campanha e a realidade vivida pela população, o que demanda uma reflexão profunda sobre a ética e a responsabilidade dos governantes.

