Newerton e a estreia na Liga dos Campeões
Com apenas 21 anos, Newerton já vive um sonho que poucos jogadores brasileiros alcançam tão cedo na carreira. O atacante, que passou pelas categorias de base do Sport e do São Paulo, deixou o Brasil sem ter atuado profissionalmente e encontrou no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, o palco para seu debut entre os “adultos”. Desde 2023, o jovem pernambucano atua no clube ucraniano, onde já disputou 82 partidas, marcou 13 gols e deu três assistências. Uma de suas memórias mais marcantes foi a estreia na Liga dos Campeões da Europa, em 25 de outubro de 2023, contra o Barcelona, quando ouviu pela primeira vez o hino do torneio.
Apesar da derrota por 1 a 0 para o time catalão, Newerton chamou a atenção ao marcar um gol anulado por impedimento. “Aquele dia foi mágico, não vai sair da minha história. Troquei a camisa com o Cancelo, que é um grande jogador. Guardei essa camisa em um quadro na parede da minha casa”, contou o atleta em entrevista à Band. Ele lembra do frio na barriga aos 18 anos, jogando contra um gigante do futebol mundial e vivendo a emoção da Champions.
O DNA brasileiro no Shakhtar e as expectativas na Champions
O clube ucraniano aposta forte no talento dos brasileiros para avançar na principal competição europeia. Atualmente, o Shakhtar conta com 15 jogadores brasileiros no elenco, o que reforça o estilo agressivo, habilidoso e criativo característico dos atletas do país. “O Shakhtar tem o DNA de jogadores brasileiros, que são agressivos, jogam um contra um e apostam no contra-ataque, drible e criatividade”, explicou Newerton.
A estreia do Shakhtar na Liga dos Campeões nesta temporada será contra o PSV, na Holanda, no dia 10. O time vem se reforçando e ainda assim busca a adaptação dos novos atletas para chegar longe no torneio. “Temos um time muito qualificado. Muitos jogadores chegaram agora e precisam se adaptar, mas temos uma grande oportunidade de avançar na competição”, completou o ponta.
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O convívio intenso com brasileiros no elenco chega a influenciar até os ucranianos, que tentam aprender palavras em português para se comunicar melhor com os companheiros.
Desafios da vida na Ucrânia em meio à guerra
Aos desafios da carreira, Newerton soma a realidade de viver em um país em conflito. A guerra na Ucrânia afeta diretamente o dia a dia do jogador e de seus companheiros. O atacante relatou uma situação que aconteceu perto de sua residência na capital: “Uma bomba caiu atrás do meu prédio antes do treino, por volta das 9h da manhã. Eu estava tomando café quando aconteceu. Mesmo assim, seguimos com a rotina, sabendo que pode ocorrer a qualquer momento”.
Devido à segurança, o Shakhtar tem mandado seus jogos da Liga dos Campeões no Stamford Bridge, estádio do Chelsea, na Inglaterra. Embora reconheça a grandiosidade do local, Newerton lamenta não poder jogar em casa. “É um grande estádio e seria um sonho jogar no Chelsea, mas preferimos jogar na Ucrânia. A diretoria e o staff do clube dão todo o suporte para que nos sintamos confortáveis”, relatou.
Superação desde a infância até o futebol profissional
Antes de chegar à Europa, Newerton enfrentou muitos obstáculos no Brasil. Natural de Palmares, Pernambuco, ele teve dificuldades para treinar devido à distância da cidade até Recife e à falta de recursos. “Não tínhamos condições para gastar com gasolina e acabei me afastando dos treinos. Depois, o pessoal do Sport me chamou para morar com uma família que me apoiou muito”, recordou o jogador.
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Com esse suporte, ele se destacou no futsal do Sport e depois fez a transição para o futebol de campo, o que o levou ao São Paulo, onde ficou até os 18 anos. Apesar das expectativas e do potencial, Newerton não teve oportunidades no time profissional do Tricolor Paulista, algo que ainda busca compreender. “Eu treinava bem e dava meu máximo, mas nunca entendi totalmente o motivo de não ter sido aproveitado. Meu pai é são-paulino e sempre sonhamos que eu jogasse no profissional do São Paulo”, revelou.
Futuro incerto, mas foco na Champions
Sem espaço no Brasil, Newerton apostou no sonho de disputar a Liga dos Campeões e aceitou a proposta do Shakhtar. Adaptado à Ucrânia, o atacante não descarta um retorno ao país, mas afirma que no momento não é sua prioridade. “Nunca chegou proposta oficial do Brasil, apenas sondagens. Não é o que quero agora, mas a vida pode levar para caminhos diferentes”, concluiu.
Com seu talento e determinação, Newerton segue escrevendo sua história na Europa, enfrentando desafios dentro e fora de campo, enquanto busca mostrar sua qualidade e ajudar o Shakhtar a avançar na competição mais prestigiada do futebol mundial.

