Alerta na Campanha: Haddad Perde Espaço em São Paulo
Em 2022, Fernando Haddad (PT) foi peça fundamental para a vitória apertada de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Naquele ano, Haddad chegou ao segundo turno contra Tarcísio de Freitas, alcançando 45% dos votos – o mesmo percentual obtido por Lula no estado, um dos melhores desempenhos do PT naquela eleição estadual. Agora, quatro anos depois, a estratégia para garantir um quarto mandato presidencial a Lula passa novamente pelo ex-ministro, mas o cenário atual, a duas semanas do pleito, indica dificuldades crescentes.
Os dados recentes das pesquisas mostram Haddad em desvantagem expressiva. Diferente de 2022, quando liderava frente a Tarcísio, hoje ele está 20 pontos atrás do governador, que atinge 49% das intenções de voto, muito próximo de confirmar a vitória já no primeiro turno. A situação se agrava para Lula (PL), que também perde terreno em São Paulo, ficando atrás de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Este quadro é crítico porque São Paulo representa 21% do eleitorado nacional e tende a ser decisivo para o resultado presidencial, especialmente diante da provável redução das margens de vitória do PT no Nordeste.
Contexto Eleitoral e Consequências para o PT
Desde o início da campanha, Haddad sabia que a tarefa seria dura. Resistiu para aceitar a candidatura imposta por Lula, mas nunca conseguiu ultrapassar Tarcísio nas pesquisas. Outro fator que complica o cenário é a concentração da disputa em apenas dois candidatos competitivos, o que torna o primeiro turno uma espécie de decisão antecipada.
Na campanha petista, cresce o desânimo. Aliados e militantes criticam a postura considerada derrotista e apontam a escassez de recursos financeiros e a estratégia limitada, que privilegia eventos com eleitores já alinhados ao PT, em vez de ampliar o alcance em regiões interioranas, tradicionalmente menos favoráveis ao partido. As tentativas do ex-ministro de avançar nessas áreas têm sido insuficientes, e a vantagem de Tarcísio nessas regiões é evidente.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Desempenho Regional e Impactos nas Cadeiras ao Senado
Segundo a pesquisa Real Time Big Data, Haddad lidera na capital, empata na região metropolitana, mas perde consideravelmente no interior, onde Tarcísio atinge 57% das intenções de voto. A chamada “caravana caipira” promovida por Lula e Haddad em cidades conservadoras como São José do Rio Preto e Barretos não surtiu o efeito esperado, segundo militantes locais. Em muitas dessas localidades, há eleitores que declaram voto em Lula para presidente, mas preferem Tarcísio para governador, fenômeno apelidado de “TarLula”.
Além disso, o mau desempenho de Haddad impacta as chances do PT e aliados nas eleições ao Senado. Embora as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) fossem apontadas como favoritas, a mobilização crescente em torno de Tarcísio e os problemas na campanha petista criam dúvidas. Pesquisa Datafolha recente indica um empate técnico entre Marina, Tebet, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), com os candidatos de direita ganhando força.
Cortes no Orçamento e Estratégias de Comunicação
O enfraquecimento da campanha de Haddad refletiu na redução dos repasses financeiros do PT, que obrigaram a demissões na equipe de marketing e a diminuição dos investimentos em impulsionamento nas redes sociais. O marqueteiro Otávio Antunes confirmou os cortes, atribuídos a uma determinação do diretório nacional para conter despesas, o que tem sido interpretado internamente como um movimento de desmobilização.
Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT já transferiu 15 milhões de reais do fundo eleitoral para a campanha de Haddad em São Paulo, com gastos acumulados de 12,28 milhões. Destes, cerca de 6,5 milhões foram destinados à Urissanê Comunicação, agência de Antunes que tradicionalmente presta serviços ao partido. Procurada, a direção nacional do PT não respondeu sobre os motivos dos cortes.
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Fonte: daquidemanaus.com.br
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Fonte: diariofloripa.com.br
Investimentos em Redes Sociais e Reação à Crise Institucional
Apesar das restrições, a campanha prioriza gastos em redes sociais. Um vídeo divulgado em 12 de setembro mostra Haddad tentando se distanciar de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e figura central na crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-ministro defende total transparência nas investigações, afirmando que rejeitou contatos com Vorcaro após alertas da equipe técnica.
Estratégias do PT indicam preocupação com o uso político da crise institucional pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL). A disputa em São Paulo, berço do PT e palco da ascensão de Lula, permanece um desafio. O partido, que disputou todas as eleições para governo estadual e chegou ao segundo turno apenas duas vezes, vê sua campanha avançar rapidamente para um resultado negativo.
O próximo movimento será acompanhar como o PT e seus candidatos reagirão a esse quadro desfavorável nas próximas semanas que antecedem a votação, especialmente visando conter a vantagem de Tarcísio e fortalecer a candidatura presidencial de Lula em um estado fundamental para o resultado nacional.

