Aquisição da Desktop pela Claro
A Claro anunciou oficialmente a compra da Desktop, a maior provedora independente de banda larga fixa do interior de São Paulo. Com sede em Sumaré, na Região Metropolitana de Campinas, a aquisição representa um importante avanço da Claro no mercado de internet, especialmente em áreas onde a competição tem se intensificado. Este movimento também se insere em uma tendência maior de consolidação no setor de telecomunicações brasileiro.
A Desktop foi fundada em 1997 pelo empresário Dênio Alves Lindo e rapidamente se destacou no setor de internet fibra óptica. Atualmente, a empresa possui cerca de 1,2 milhão de clientes e está presente em 198 municípios do estado, detendo aproximadamente 7,6% do mercado regional. Em 2020, a empresa recebeu um investimento significativo da HIG Capital, e em 2021, tornou-se uma empresa de capital aberto, o que acelerou sua expansão na região de Campinas e arredores.
Detalhes da Transação
No primeiro estágio da aquisição, a Claro irá adquirir 73% das ações da Desktop, com um valor estimado de R$ 20,82 por ação — representando um prêmio de 45% sobre o valor de mercado. Essa transação avalia a empresa em aproximadamente R$ 4 bilhões, sendo R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão em dívidas líquidas. Posteriormente, a Claro deverá realizar uma oferta para adquirir os restantes 27% das ações da provedora.
Competição no Mercado de Telecomunicações
Com a compra da Desktop, a Claro fortalece sua posição no maior mercado de telecomunicações do Brasil. Atualmente, a operadora conta com 4,5 milhões de clientes em São Paulo, correspondendo a 28,3% do total. Em comparação, a Vivo lidera, com 4,9 milhões de clientes, o que representa 31% do mercado. A integração da Desktop, que é especialmente forte no interior e na região de Campinas, poderá ajudar a Claro a reduzir essa diferença e aumentar a competição no setor.
Tendências de Consolidação no Setor de Internet
Especialistas do setor destacam que essa operação reforça uma tendência crescente de consolidação no mercado de internet fixa no Brasil. Entre 2018 e 2022, o número de assinantes de banda larga aumentou em 72%, mas o crescimento desacelerou recentemente, registrando apenas 2,5% de aumento entre 2024 e 2025. Em resposta a esses desafios, muitas empresas estão buscando fusões e aquisições como estratégia para expandir suas bases de clientes e reduzir custos operacionais, além de integrar serviços de internet fixa e móvel.
Aprovação Regulatória Necessária
Apesar das mudanças em curso, a transação ainda está sujeita à aprovação de órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Anatel. O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, comentou que não há preocupações com a operação, ressaltando que o Brasil possui um dos mercados de banda larga mais competitivos do mundo, com uma infinidade de provedores disponíveis.

