Abertura da Conasamba em São Paulo destaca a força das escolas de samba
Na última quinta-feira, um feriado com temperatura baixa na capital paulista marcou a abertura do Congresso Nacional das Escolas de Samba 2026 (CONASAMBA), realizado na Fábrica do Samba. O local, cuidadosamente preparado, recebeu participantes com uma estrutura que incluiu desde a entrada decorada pela emblemática alegoria da Mocidade Alegre até espaços dedicados a palestras e stands de empresas ligadas ao carnaval. Ao longo dos próximos dias, uma programação diversificada levará ao público debates e apresentações voltadas à cultura popular e ao futuro das escolas de samba.
Debates sobre cultura, história e políticas públicas
Organizado pela Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba), o congresso tem como objetivo central promover discussões sobre temas essenciais para o carnaval brasileiro. Entre os tópicos estão a atuação da imprensa no carnaval, a valorização dos mestres-salas e porta-bandeiras, e o papel das mulheres na festa popular. O evento também abre espaço para que representantes de diferentes regiões do país compartilhem suas experiências culturais, fortalecendo o diálogo entre as comunidades envolvidas na preservação dessa tradição.
Esta edição marca a primeira vez que São Paulo recebe a CONASAMBA, reunindo autoridades do poder público municipal, como o secretário-adjunto Rodrigo Massi, além de líderes do carnaval paulista, como o presidente da Liga-SP, Tomate, e o presidente da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP), Nenê. A cerimônia de abertura contou ainda com a apresentação da Mocidade Alegre, atual campeã do carnaval na cidade, encerrando a noite com a energia característica do samba paulistano.
Troca de experiências e valorização da cultura local
Na abertura dos discursos, Tomate destacou a importância de São Paulo como palco para a CONASAMBA e ressaltou a necessidade de intercâmbio entre os participantes. “É um prazer enorme para o carnaval de São Paulo receber a CONASAMBA na Fábrica do Samba. Quero agradecer aos sambistas, que são a razão deste encontro e lutam conosco em todas as causas. Esta é uma oportunidade de receber um evento dessa grandeza, que representa o Brasil diante do mundo”, afirmou o presidente da Liga-SP.
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Ricardo Kaxitu, presidente da Fenasamba, dedicou seu discurso para exaltar a diversidade das manifestações carnavalescas brasileiras, que vão além dos grandes desfiles das capitais e alcançam comunidades e bairros de todo o país. “Nós somos do tempo do samba sem grana e sem glória, do barracão improvisado e da fantasia costurada madrugada adentro. É essa memória que orienta nosso compromisso com o futuro”, lembrou.
Compromisso com as escolas de samba de base
Kaxitu reforçou que a Fenasamba busca políticas públicas que garantam apoio a profissionais do carnaval e fortaleçam as pequenas e médias escolas, que são responsáveis por manter viva a tradição em diversas regiões. “São elas que guardam os tambores, as histórias e os sonhos. Transformam dramas em enredos, escassez em criatividade e resistência em desfile”, destacou.
Ao concluir, o presidente da Fenasamba usou uma metáfora para enfatizar a importância da cultura popular: “Queremos milhares de Intendentes Magalhães e Vilas Esperança espalhadas pelo país, com quadras e terreiros cheios de crianças aprendendo os primeiros passos, velhas guardas transmitindo suas memórias e comunidades reconhecendo a si mesmas no espelho de suas escolas. O samba sempre será resistência e ancestralidade, quilombo e favela, nunca casa-grande”.
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São Paulo celebra a cultura do samba
Alexandre Magno, o Nenê, presidente da UESP, destacou o significado de receber o congresso na capital paulista. “Trazer para São Paulo o encontro do carnaval mundial é uma grande conquista. Fico honrado em representar a União das Escolas de Samba Paulistanas e agradeço a parceria com a Fenasamba e a Liga-SP”, afirmou. Nenê ressaltou ainda a importância de mostrar a riqueza da cultura carnavalesca da cidade para o mundo.
Poder público e reconhecimento cultural
Rodrigo Massi, secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Cultura, representando o prefeito Ricardo Nunes e o secretário Totó Parente, reforçou o valor das escolas de samba para a identidade cultural paulistana e nacional. Ele destacou a presença de delegações internacionais, como a de Barranquilla, ressaltando a dimensão global do evento.
Massi compartilhou uma notícia significativa: em maio, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo aprovou o reconhecimento das práticas carnavalescas como patrimônio imaterial da cidade. “Não estamos falando apenas de economia criativa, mas de saberes, memória, identidade e patrimônio cultural”, afirmou, destacando a relevância da CONASAMBA para fortalecer essas conexões.

