Conflito entre Governo e Agronegócio se Agrava na Agrishow
A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Agrishow, um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro, intensificou a oposição à sua administração. Durante o evento, realizado em Ribeirão Preto, a direita utilizou a oportunidade para criticar o governo, uma vez que Lula foi representado apenas pelo vice, Geraldo Alckmin (PSB), e ministros. Apesar do anúncio de uma linha de crédito adicional de R$ 10 bilhões para aquisição de máquinas agrícolas com juros reduzidos, a medida não conseguiu abrandar o distanciamento entre o governo petista e o setor agropecuário.
O impacto do anúncio foi menor do que o esperado, especialmente porque a nova linha de financiamento não estava disponível durante os cinco dias da feira. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) chegou a classificar a data como o ‘dia do não anúncio’, gerando um ambiente propício para críticas ao governo. Pré-candidatos da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), foram alguns dos que aproveitaram a chance para se posicionar contra Lula, propondo uma agenda conjunta em eventos futuros.
Leia também: Bloqueio de Celular por Atraso no Pagamento: Prática é Ilegal, Afirma Procon
Leia também: Lula Pode Adotar Medidas de Retaliação Contra os EUA por Caso de Delegado
A Agrishow, que se encerrou na última sexta-feira (1º), registrou uma queda de 25% nas intenções de negócios, totalizando R$ 11,4 bilhões, em comparação aos R$ 15,2 bilhões da edição anterior, ajustados pela inflação. O setor, especialmente os produtores de grãos da região Centro-Oeste, expressa um crescente descontentamento com a taxa Selic, que permanece elevada em 14,5% ao ano, apesar das recentes reduções. A oposição critica o governo por não conseguir cortar gastos públicos e pela baixa cotação das commodities, que afetam diretamente a rentabilidade dos agricultores.
Desafios do Agronegócio e Expectativas Futuras
A cotação da soja, por exemplo, caiu para cerca de R$ 130 a saca de 60 kg, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostrando uma significativa desvalorização em relação aos R$ 184 no início do terceiro mandato de Lula e aos mais de R$ 200 em 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Dirigentes de associações do agronegócio e empresários ouvidos durante a feira afirmaram que Lula poderia reduzir a rejeição ao setor se apresentasse um Plano Safra mais robusto, embora muitos duvidem que isso aconteça.
Leia também: PT Propõe Código de Ética para o STF e Revisão de Privilégios Após Crise com Lula
Leia também: Ultrassom É Capaz de Eliminar Vírus da Influenza A e Covid-19 Sem Danificar Células Humanas
As dificuldades enfrentadas pelo agro também se refletem nas quedas nas vendas durante eventos importantes. Na última Tecnoshow, realizada em Rio Verde (GO), as vendas caíram 30% em comparação com a edição anterior, que gerou R$ 10 bilhões. Desde um impasse ocorrido em 2023 entre o governo e os organizadores da Agrishow, por conta da possível participação de Bolsonaro na cerimônia de abertura, o primeiro ato oficial passou a ser realizado aos domingos, alterando a dinâmica do evento.
Essa divisão política se fez notar na Agrishow deste ano. No dia inaugural, representantes do governo federal estiveram presentes, enquanto nos dias seguintes, políticos da oposição foram os protagonistas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacou em entrevista a intenção de unir forças com Flávio Bolsonaro em futuras agendas, afirmando que “o Brasil tem jeito e um grande projeto”.
Críticas ao STF e Fortalecimento da Oposição
A Feicorte, programada para breve, é mais um evento onde a oposição se reunirá para fortalecer a presença no setor agropecuário. Zema, durante a Agrishow, declarou ser um defensor do agronegócio, antes mesmo de sua popularidade, e criticou o STF, sugerindo que a corte busca evitar investigações. Caiado, por sua vez, se apresentou como um político com histórico de defesa do setor, alegando ser “agro raiz”. Aldo Rebelo (DC) e Augusto Cury (Avante), também pré-candidatos, usaram a plataforma para criticar o STF e suas decisões, refletindo um descontentamento generalizado com a atual administração.
O evento atraiu aproximadamente 197 mil visitantes em cinco dias, mas a sensação entre muitos participantes era de que o clima estava longe de ser favorável ao governo. A ausência de Lula e a presença de figuras da oposição destacaram as tensões políticas em meio a um setor crucial para a economia brasileira.

