O papel de Luciano Thomé no agronegócio
Luciano Thomé e Castro, sócio-fundador da Markestrat e da Harven Agribusiness School, traz uma bagagem vasta e valiosa para o debate sobre gestão em agronegócios. Nascido em Ribeirão Preto, ele possui um currículo que impressiona: formado em Administração de Empresas pela Faculdade de Economia e Administração da USP Ribeirão, Luciano é mestre e doutor na mesma área, com formações complementares em instituições de renome, como Wageningen (Holanda), Kiel (Alemanha) e Purdue (EUA). Ele atualmente é professor da FEA-USP/RP e coordena cursos na Harven Agribusiness School. Sua trajetória inclui a fundação da Markestrat Assessoria Empresarial, criada há 22 anos, onde tem desenvolvido projetos significativos no setor, incluindo o movimento “Sou de Algodão”, em colaboração com a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão).
Em uma recente entrevista, Luciano compartilhou suas visões sobre o cenário atual do agronegócio, abordando a relevância de sua atuação e os efeitos de eventos globais, como as políticas de Donald Trump, sobre o setor. Ele destacou a importância da consultoria especializada no agronegócio, um nicho que sua empresa soube explorar com êxito. “Há 22 anos, enxergamos a necessidade de uma consultoria que compreendesse profundamente o agronegócio, e desde então, a demanda só cresceu”, afirmou.
O movimento “Sou de Algodão” e suas conquistas
Luciano também detalhou o movimento “Sou de Algodão”, que ele coordena e que completará uma década em outubro. Com foco em aumentar a utilização do algodão natural em vez de fibras sintéticas na indústria têxtil, o projeto tem conquistado espaço e reconhecimento. “Nosso objetivo é resgatar o algodão no mercado, utilizando estratégias de marketing e parcerias com designers para promover sua utilização”, explicou Luciano. O resultado foi um aumento significativo no consumo aparente de algodão no Brasil, que superou um milhão de toneladas, demonstrando um retorno positivo do setor têxtil ao uso da fibra natural.
Quando questionado sobre a concorrência com fibras sintéticas, Luciano foi categórico: “É um desafio global. O mercado é influenciado por praticidades e custos, mas o algodão natural possui um valor inegável que buscamos resgatar.” Ele ainda mencionou a criação de um movimento similar para o arroz, denominado “Vai de Arroz”, dada a queda no consumo desse alimento essencial ao longo dos anos.
Reflexões sobre o mercado regional
Sobre a situação do agronegócio na região de Ribeirão Preto, Luciano sinalizou que a dependência do setor sucroenergético dos preços internacionais do açúcar e do etanol apresenta um cenário misto. “Embora a demanda por etanol tenha aumentado devido à alta nos preços da gasolina, o mercado de açúcar é volátil e está longe de ser ideal”, disse, expressando preocupação com os impactos econômicos. Contudo, ele acredita que o mercado local tem se mostrado resiliente, com a produção de cana adotando práticas mais sustentáveis e eficientes.
Sustentabilidade no agronegócio
Luciano também abordou a crescente consciência ambiental entre os empresários do agronegócio. Ele destacou que a região de Ribeirão Preto possui uma legislação ambiental rigorosa que exige práticas sustentáveis dos produtores. “Os agricultores estão cada vez mais cientes da importância de preservar a terra e seus recursos. A utilização de tecnologias para otimizar a produção e a rotação de culturas são exemplos disso”, enfatizou. Além disso, o uso de insumos biológicos na produção de cana tem sido um fator positivo para a preservação ambiental.
Desafios futuros e legislação trabalhista
Em relação às mudanças na legislação trabalhista, Luciano mencionou que as novas regras tendem a impactar o setor negativamente. “Imposições rígidas podem resultar em menos vagas de trabalho, o que é uma preocupação constante para o agronegócio”, ponderou. Para ele, a flexibilidade na gestão da mão de obra é crucial para o sucesso do setor.
A paixão pela educação
Por fim, Luciano refletiu sobre sua atuação como professor, um papel que considera fundamental em sua vida. “Ensinar é uma maneira de contribuir para o futuro. A cada aula, sinto a responsabilidade de formar profissionais que possam transformar o agronegócio”, concluiu. Sua trajetória é um exemplo de como a experiência e a formação acadêmica podem se unir para promover mudanças significativas no setor.

