Eventos Agropecuários e a Influência Política
Nos últimos anos, as principais feiras do agronegócio brasileiro, que movimentam bilhões em vendas de máquinas e inovações tecnológicas, firmaram-se como um espaço privilegiado para políticos de orientação à direita. Este panorama deverá se repetir com a chegada de duas grandes feiras agropecuárias nos próximos dias: a Agrishow, que ocorrerá em Ribeirão Preto (SP), e a Expozebu, em Uberaba (MG).
A Agrishow, uma Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, abrirá suas portas ao público na segunda-feira (27). O evento, que já se consolidou como um ponto de encontro para figuras políticas contrárias ao governo Lula, promete a presença de Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que comparecerá acompanhado do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O início oficial da feira está agendado para este domingo (26), mas será restrito apenas a autoridades e membros da imprensa, seguindo um padrão estabelecido nos últimos anos devido a tensões entre a organização da Agrishow e o governo federal. Nos eventos anteriores, o ex-presidente Bolsonaro fez questão de comparecer, exceto em anos de pandemia, o que demonstra sua forte conexão com o agronegócio e seu apelo entre os ruralistas.
Histórico de Conflitos e Expectativas para a Agrishow
Em 2023, a relação entre o governo e a Agrishow foi marcada por atritos, especialmente quando Bolsonaro, já fora do cargo, anunciou sua participação no evento após um período nos Estados Unidos. A situação gerou descontentamento no governo, que ameaçou retirar o patrocínio do Banco do Brasil, levando à suspensão da cerimônia de abertura. Desde então, a feira tem adotado uma abordagem mais cautelosa, com eventos limitados e sem o público geral.
Em edições anteriores, a presença de Bolsonaro foi sempre um ponto alto, onde ele aproveitou para criticar o governo atual, chamando Lula de “cidadão que está no palácio”. Com a presença de políticos e defensores do agronegócio, tais discursos refletem não apenas a importância econômica dos eventos, mas também a confluência política que os cerca.
Outros líderes da direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ex-governadores de Goiás e Minas Gerais, respectivamente, também têm se destacado nas edições passadas, reforçando a tendência de apoio do setor agrícola ao espectro político à direita. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também marcaram presença, sublinhando ainda mais essa inclinação política do agronegócio.
Expozebu e a Tradição Pecuária Brasileira
A Expozebu, que acontece em Uberaba, tem um histórico igualmente relevante. O evento, que é a principal vitrine da pecuária nacional, terá sua 91ª edição, programada para abrir neste sábado (25). Embora a presença de figuras do governo Lula não tenha sido confirmada, espera-se que políticos de direita ocupem o espaço. Em 2022, Bolsonaro fez um discurso que mobilizou muitos para protestos contra o STF, reforçando a importância do evento como plataforma política.
Assim como a Agrishow, a Expozebu também deve gerar uma quantidade significativa de negócios, superando os R$ 200 milhões obtidos no ano passado. O cenário é claro: a presença majoritária de membros da direita é uma constante, especialmente em eventos que atraem a atenção dos ruralistas e dos defensores do agronegócio.
Eventos Futuros e a Influência da Direita
Outros eventos do setor também demonstram essa tendência. A Feicorte, realizada em Presidente Prudente (SP), e a Tecnoshow, em Rio Verde (GO), têm visto a presença de figuras proeminentes da direita, como Bolsonaro, que utiliza esses encontros para se reconectar com sua base eleitoral. Na Tecnoshow, o nome de Lula foi, inclusive, ignorado em discursos recentes, uma clara manifestação de descontentamento com a atual administração.
A Agrishow, que chega à sua 31ª edição, está programada para ocorrer de segunda a sexta-feira (1º) na fazenda situada às margens da rodovia Antônio Duarte Nogueira, em Ribeirão Preto. Embora a organização ainda não tenha divulgado previsões de negócios, espera-se que a feira atraia um número significativo de expositores, reafirmando sua importância como um dos principais eventos do agronegócio no Brasil.
O que ficará evidente, ao final das feiras, é a confirmação de que o agronegócio brasileiro se tornou um reduto estratégico para a direita, onde a política e a economia se entrelaçam em um ambiente de grandes oportunidades e desafios.

