Morango Fênix: Doce inovação da Embrapa para São Paulo
Este ano, os consumidores de morango vão encontrar nas prateleiras uma fruta maior e mais doce: o morango Fênix, criado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Embora tenha chegado ao mercado em escala reduzida em 2024, a expectativa é que em 2026 essa variedade seja destaque. Além de conquistar o paladar, o “morangão” pode ser decisivo para a retomada da cultura do morango em São Paulo, especialmente na cidade de Atibaia, conhecida como a “Capital do Morango”.
Desafios enfrentados pela cultura do morango em São Paulo
A produção paulista sofreu com a praga da flor preta, também chamada de antracnose, que dizimou os morangueiros da região. Isso ocorreu porque os produtores utilizavam variedades vulneráveis à doença. A queda dos preços e a ausência de regulamentação para a produção de mudas, que permitia a disseminação de plantas contaminadas, também contribuíram para a queda da produção na cidade.
Enquanto isso, em Minas Gerais, os produtores passaram a importar mudas de variedades americanas resistentes, como a San Andreas, que hoje representam cerca de 60% do cultivo nacional.
O surgimento do morango Fênix e seu impacto na produção
Após anos de testes e cruzamentos, nasceu o morango Fênix, nome inspirado na ave que renasce das cinzas e na constelação sul-americana. Essa variedade se adapta a diferentes climas do Brasil, do Sudeste ao Nordeste, e é maior e mais doce que a San Andreas. O índice Brix, que mede a concentração de açúcares, ultrapassa os 9º no Fênix, enquanto o morango californiano fica entre 7º e 9º, aproximando-se dos morangos europeus em doçura.
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Embora ainda não atinja o nível do Omakase, variedade japonesa de luxo com Brix de até 15º, o Fênix produz o ano todo e se adapta bem ao calor. Os custos de produção são semelhantes aos da San Andreas, mas o visual atraente do fruto maior e vermelho proporciona ao produtor margens de lucro mais elevadas, com bandejas de 250 gramas chegando a R$ 19,90 em capitais brasileiras. Em termos de produtividade, cada planta do Fênix rende cerca de 600 gramas de fruta, contra 500 gramas da San Andreas.
Retomada da cultura e crescimento da produção
Em 2024, a novidade do Fênix foi ofuscada pela popularidade do “morango do amor”, uma tendência gastronômica com cobertura doce, o que limitou a divulgação da nova variedade. Neste ano, porém, os produtores planejam ampliar a promoção do Fênix.
Os resultados já aparecem: a área cultivada com morango no Brasil cresceu de 6 mil hectares para 7 mil em cinco anos, segundo a Embrapa.
Um exemplo é o produtor Kleber Magro, de Atibaia, que abandonou a cultura do morango na década de 2000 e voltou a apostar na fruta em 2025 com o Fênix. Investiu R$ 480 mil para plantar 30 mil pés e obteve lucro de 50%. Para 2026, ele pretende ampliar o plantio para 100 mil pés, embora a disponibilidade restrita de mudas limite o crescimento.
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Turismo rural e inovação urbana na produção de morango
Nas proximidades de Atibaia, cidades como Jundiaí também se beneficiam da nova safra. O Sítio Fragole virou ponto turístico, onde visitantes colhem morangos em sistema semihidropônico e pagam cerca de R$ 40 por quilo, o que aumenta a receita direta dos produtores.
Na capital paulista, a inovação aparece no bairro do Ipiranga, onde um antigo depósito foi transformado em uma fazenda vertical de morango Fênix. Com 1,2 mil pés distribuídos em 20 andares, o sistema controla todos os fatores de cultivo, eliminando o uso de agrotóxicos.
O ex-publicitário Diego Gomes Martins, responsável pelo projeto 100% Livre, investiu R$ 10 milhões para desenvolver essa produção urbana, que também inclui verduras e flores. O objetivo é produzir morangos premium, com doçura prevista de até 17º Brix, superando os padrões tradicionais e chegando a competir com os morangos de luxo japoneses, que podem custar até R$ 25 cada nos Estados Unidos.
Essa combinação de inovação tecnológica e valorização da cultura regional representa um novo capítulo para a economia do morango em São Paulo, com efeitos diretos na renda dos produtores, no consumo e na atividade econômica da região.

