Expectativa de Vendas no Dia das Mães
O comércio de Ribeirão Preto se prepara para o Dia das Mães com uma expectativa de crescimento modesto nas vendas. Levantamento do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região (Sincovarp) junto à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL RP) indica uma elevação de até 1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do impacto de eventos locais como a Agrishow e o Ribeirão Rodeo Music, a realidade econômica ainda impõe desafios ao consumidor.
Diego Galli Alberto, economista e coordenador do Centro de Pesquisas do Varejo (CPV) da Sincovarp/CDL RP, destacou que a situação econômica continua a restringir o consumo. Segundo ele, “apesar das datas comemorativas, o poder de compra dos consumidores é afetado por fatores como inflação, taxas de juros elevadas e a inadimplência que aflige muitas famílias. O resultado é um consumidor mais cauteloso, que prioriza suas despesas essenciais”.
Comparativo com Anos Anteriores
No ano passado, durante o mesmo período, as vendas cresceram 1,5%. Para 2026, a expectativa é de um cenário de estabilidade. Contudo, deve haver dois momentos de aquecimento nas vendas: a finalização da Agrishow, em 1º de maio, e os dias que antecedem o Dia das Mães. Após essas datas, as projeções indicam uma desaceleração nas vendas.
Galli também sugere que, se uma onda de frio se instalar, alguns setores podem se beneficiar. “Se tivermos a primeira grande onda de frio, o setor de vestuário poderá ter um aumento na procura, o que pode impactar positivamente nas vendas”, afirma.
Expectativas Nacionais e Intenção de Compra
Em um panorama mais amplo, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê um crescimento de até 2% nas vendas relacionadas ao Dia das Mães em 2026, com um impacto econômico de R$ 14,4 bilhões em todo o Brasil. Em Ribeirão Preto, dados recentes revelam que 80% dos consumidores têm intenção de comprar presentes para a data, um índice que supera a média nacional de 78%.
O tíquete médio de compras deve se situar entre R$ 200 e R$ 300. No entanto, o cenário não é totalmente otimista: 66% dos entrevistados relataram um aumento nos preços em comparação ao ano anterior. Dentre os consumidores, 39% planejam gastar mais este ano, enquanto 19% pretendem reduzir seus gastos. Os motivos para essa contenção incluem a necessidade de economizar (39%), a crise financeira (36%) e dívidas acumuladas (33%).
Preferência por Compras Presenciais
A pesquisa também revela que, embora muitos consumidores busquem preços nas plataformas digitais, a maioria das compras ainda será realizada em lojas físicas. De acordo com os dados, 79% dos entrevistados preferem comprar presencialmente, especialmente em shopping centers (29%) e lojas populares (21%). Por outro lado, 45% afirmam que pretendem adquirir pelo menos um presente pela internet, sendo que 73% desses consumidores optam por aplicativos, 69% pelos sites, e 28% via Instagram.
“É essencial que os lojistas integrem suas operações físicas e digitais. O consumidor pode pesquisar online, mas ainda valoriza a experiência presencial, especialmente em datas comemorativas como o Dia das Mães”, ressalta Galli.
Segmentos de Destaque para Compras
Entre os segmentos mais procurados nesta data, a moda — que inclui vestuário, calçados e acessórios — lidera com 53% das intenções de compra. Em seguida, aparecem perfumes e cosméticos, com 50%, e chocolates e flores, empatados com 24% cada. Além disso, o estudo também aponta uma expectativa de vendas nas áreas de decoração, eletrônicos, eletrodomésticos, restaurantes, bares, spas e viagens.
Para Galli, o desempenho das vendas no Dia das Mães é um termômetro importante para o varejo no resto do semestre. “Essa data pode ser um indicativo para o comportamento do consumo nos próximos meses, especialmente com fatores como as eleições, a Copa do Mundo e o cenário econômico global influenciando as decisões de compras dos consumidores”, conclui.

