Desafios e Avanços na Saúde do Rio Grande do Sul
O governador Eduardo Leite participou na tarde desta quinta-feira (12), em São Paulo, do evento Diálogos da Saúde, realizado pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindiHosp-SP). Durante sua palestra, seguida de um debate com líderes do setor, Leite compartilhou a experiência do Rio Grande do Sul na reestruturação do sistema de saúde e sustentou a necessidade de reformas que garantam a sustentabilidade das políticas públicas em nível nacional. O evento reuniu executivos, especialistas e lideranças, com moderação de Francisco Balestrin, presidente do conselho de administração do SindHosp.
Em sua fala, o governador recordou a grave crise fiscal enfrentada pelo Estado no início de sua gestão, que impactava diretamente o funcionamento do sistema de saúde. Naquela época, o Rio Grande do Sul acumulava cerca de R$ 1,2 bilhão em débitos com municípios, hospitais e fornecedores, o que comprometia o atendimento e o fornecimento de medicamentos. Segundo ele, a reorganização das contas públicas foi essencial para recuperar a capacidade de investimento e garantir previsibilidade aos prestadores de serviços. “O Estado não conseguia nem pagar os salários em dia. Regularizar as contas foi o primeiro passo para restaurar a capacidade de oferecer serviços à população”, afirmou.
Investimentos e Iniciativas para a Saúde
Após alcançar um equilíbrio fiscal, o governo gaúcho retomou os investimentos na rede hospitalar e ampliou programas para fortalecer o sistema de saúde. Dentre as iniciativas, destacam-se o Programa Avançar, focado na modernização da infraestrutura hospitalar, e o SUS Gaúcho, que complementa a tabela nacional do Sistema Único de Saúde com critérios de qualidade e desempenho. O governo destina cerca de R$ 1 bilhão para aumentar os procedimentos e reduzir as filas em especialidades como oftalmologia e ortopedia.
Outra medida importante foi a implementação do Programa Assistir, que ampliou em 400% o número de ambulatórios do SUS que recebem apoio financeiro. Somente nos últimos cinco anos, o governo Leite investiu R$ 518 milhões em obras de reforma e modernização dos hospitais do Rio Grande do Sul.
Fortalecimento da Rede de Saúde Existente
O governador também destacou a estratégia de fortalecer as instituições de saúde já existentes, especialmente as filantrópicas, ao invés de criar novas estruturas estatais. A ideia é redirecionar recursos para qualificar os serviços já prestados nas comunidades. “O mais relevante do que inaugurar novos prédios é reforçar aqueles que já atendem à população, fornecendo estrutura, equipamentos e financiamento adequados”, ressaltou. Essa abordagem permitiu aumentar a oferta de ambulatórios especializados e expandir os investimentos em equipamentos e obras em diversos hospitais gaúchos.
Desafios Estruturais e Necessidade de Reformas
Na visão do governador, os desafios do sistema de saúde estão interligados a transformações estruturais, como o envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas, que geram uma demanda crescente e pressionam os custos. No Rio Grande do Sul, onde o índice de envelhecimento é o mais alto do Brasil, cerca de 20% da população já possui mais de 60 anos. Para enfrentar esse panorama, o governo tem ampliado programas direcionados a públicos específicos, como a assistência a idosos, a saúde da mulher e o suporte a pessoas com transtorno do espectro autista.
Reformas Necessárias para Sustentabilidade das Políticas Públicas
Ao discutir o cenário nacional, Leite defendeu a necessidade de que o Brasil avance em reformas institucionais e fiscais para garantir a sustentabilidade das políticas públicas. Segundo ele, o país enfrenta uma rigidez orçamentária, onde uma grande parte das despesas está atrelada a gastos obrigatórios, limitando a capacidade de investimentos em áreas essenciais. Ele propõe que ajustes fiscais não devem significar uma diminuição da presença do Estado, mas uma reorganização orçamentária que libere recursos para saúde, educação e segurança.
O governador enfatizou a importância de reformas política e administrativa, além de ajustes no sistema previdenciário, e ressaltou a necessidade de aprimorar o modelo político-eleitoral e fortalecer as instituições. “Nenhum projeto de país, seja mais voltado ao liberalismo ou à inclusão social, se constrói em poucos anos; leva toda uma geração. Precisamos de instituições fortes para sustentar políticas de longo prazo”, concluiu.
Ao final de sua participação, Leite reiterou que o Brasil deve superar disputas pessoais e concentrar o debate público na resolução de problemas estruturais. Apenas por meio de reformas, planejamento e cooperação entre governos e sociedade será possível edificar um sistema de saúde sustentável e um projeto de desenvolvimento consistente para o país.

