Mudanças no Cenário Político do DF
A queda do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em meio ao escândalo do Banco Master, promoveu uma significativa transformação na política local. Agora, Michelle Bolsonaro (PL) emerge como a principal figura da direita, assumindo um papel crucial nas articulações eleitorais que se aproximam. O cenário, que antes era dominado pela força do governador reeleito em 2022, agora se reorganiza sob a liderança de Michelle, que atuará como a principal cabo eleitoral nas futuras disputas. A ex-primeira-dama já está se preparando para a chapa puro-sangue do PL, que contará com sua candidatura e a da deputada federal Bia Kicis ao Senado.
Após a divulgação de reportagem sobre a situação de Ibaneis, o político José Roberto Arruda enviou uma nota afirmando que, com mudanças previstas na Lei da Ficha Limpa para 2025, “não há dúvida de que o prazo de inelegibilidade” é encerrado antes das eleições deste ano. O comunicado pode ser conferido ao final deste texto.
Reorganização no PL e Apoiadores
Apesar das tensões entre membros do PL, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, decidiu não intervir diretamente nas insatisfações. Segundo relatos, ele “lavou as mãos” e deixou claro que não pretende contrariar a ex-primeira-dama, delegando a ela a responsabilidade de conduzir o partido no Distrito Federal. No entanto, Costa Neto liberou congressistas para apoiar outros candidatos, especialmente Arruda, que é visto como favorito dentro do PL local, caso Michelle decida não apoiar Celina Leão.
A declaração do deputado Alberto Fraga (PL-DF) ilustra a nova dinâmica: “Se o partido é liberal, como diz o nome, eu combinei que fico no PL, mas podendo apoiar o meu candidato, o Arruda”. Essa flexibilidade revela como o partido está se moldando às novas circunstâncias políticas.
Declínio de Ibaneis e Implicações Futuras
Antes de seu envolvimento nos problemas do Banco Master se tornar público, Ibaneis Rocha era visto como um forte candidato ao Senado nas eleições de 2026. Ele havia sido eleito em 2018 com quase 70% dos votos no segundo turno e reeleito em 2022 com 50,3% dos votos válidos. No entanto, o cenário mudou drasticamente, e informações nos bastidores indicam que Michelle se diverte com a queda de Ibaneis. Mesmo antes da decisão do PL de romper com o governador, ao solicitar a abertura de CPI do caso Master na Câmara Legislativa do DF, ela já acompanhava atentamente a situação, utilizando o momento para se afirmar como a nova protagonista política.
Ações e Consequências Legislativas
Em uma sessão recente, a votação que visava socorrer o Banco de Brasília (BRB) resultou na aprovação da proposta por 14 votos a 10. Em resposta, Ibaneis demitiu funcionários que haviam sido indicados por deputados da base aliada que se opuseram à proposta, uma ação que revela a pressão a que ele está sendo submetido. O Ministério Público, que reconheceu a conexão entre os eventos, já solicitou a prevenção da 2ª Vara da Fazenda Pública para julgamento das questões em análise.
Com a decisão colegiada condenatória ocorrendo em 9 de julho de 2014, o prazo de 8 anos para inelegibilidade se encerrou em 9 de julho de 2022, o que significa que não há restrições à capacidade eleitoral passiva para o pleito de 2026. Caso se adote uma interpretação mais restritiva, a Lei Complementar nº 219/2025 estabeleceu um limite máximo de 12 anos para inelegibilidades, encerrando esse prazo em 9 de julho de 2026, o que também não impediria a participação nas eleições de outubro de 2026.
Essas considerações legais, portanto, sugerem que, independentemente do critério aplicado, não existem barreiras que impeçam a candidatura de Ibaneis nas próximas eleições, aumentando a complexidade do cenário político no Distrito Federal.

