Decisão Judicial e Consequências
O Colégio Galois, uma respeitada instituição particular em Brasília, recebeu uma condenação da Justiça do Distrito Federal, sendo obrigado a indenizar alunos que foram vítimas de racismo durante um campeonato de futebol. A situação ocorreu em 3 de abril de 2024 e a decisão foi oficialmente divulgada pela Defensoria Pública do DF na última segunda-feira (30).
O incidente aconteceu durante uma partida da ‘Liga das Escolas’, onde estudantes do Colégio Galois proferiram ofensas raciais a alunos da Escola Franciscana Nossa Senhora de Fátima, chamando-os de ‘macaco’, ‘pobrinho’ e ‘filho de empregada’. Em resposta, a Justiça determinou uma indenização de R$ 6 mil em danos morais para cada uma das vítimas e o colégio deverá fornecer acompanhamento psicológico aos alunos ofendidos por um período de dois anos.
Procuramos a instituição para comentar sobre a decisão, mas ainda não obtivemos retorno.
Reação da Diretora e Repúdio ao Racismo
Em uma carta de repúdio publicada em 10 de abril de 2024, Inês Alves Lourenço, diretora-geral da Escola Franciscana Nossa Senhora de Fátima, expressou sua indignação diante das ofensas sofridas por seus alunos. Na declaração, a diretora descreveu o episódio como uma manifestação de preconceito social e injúria racial. Segundo ela, as palavras ofensivas deixaram o ambiente escolar hostil e impactaram emocionalmente os estudantes.
“As ofensas proferidas pelos alunos do Colégio Galois, como ‘macaco’ e ‘filho de empregada’, criaram um clima inóspito, abalando nossos alunos”, destacou a diretora. Inês também ressaltou que, no momento das ofensas, diversos responsáveis estavam presentes, mas nenhuma ação imediata foi tomada pela equipe do Galois que estava no ginásio.
Após o ocorrido, o Colégio Galois anunciou a abertura de uma investigação interna rigorosa. A instituição se comprometeu a identificar os responsáveis e aplicar as devidas penalidades, além de intensificar ações educativas sobre o tema.
Testemunhos dos Alunos
Entre as vítimas do racismo, está Lucas Gonçalves, um estudante de 16 anos, que reside na Candangolândia. Lucas relembrou que, para estudar na Escola Fátima, ele acordava diariamente às 5h30. Este era seu primeiro ano em uma escola particular, e, ao vivenciar os insultos, ele compartilhou sua dor: “Falaram: ‘Pega o preto na ala’, de maneira pejorativa e também ofenderam a aparência dos nossos atletas. Senti muita raiva e tristeza, pois nossa intenção era competir com respeito, e fomos tratados assim”.
Lucas ainda mencionou que essas ofensas são recorrentes contra alunos da Escola Fátima devido ao fato de a instituição acolher muitos atletas, e que os estudantes já estão habituados a sofrer esse tipo de discriminação.
Outro aluno, Diego Riquelme, de 15 anos e capitão da equipe, também expressou o impacto emocional que o episódio teve sobre todos os integrantes do time. Ele relatou: “Xingaram nossas mães, fazendo referências à nossa condição econômica, dizendo que deveriam lavar louça. É inaceitável. É muito triste voltar para casa e ter que contar isso para os pais”.
Reflexão sobre Racismo nas Escolas
Este incidente levanta questões importantes sobre a persistência do racismo nas escolas e a necessidade de um ambiente educacional saudável e respeitoso. Especialistas em educação afirmam que é fundamental que instituições de ensino adotem medidas eficazes para combater o preconceito e promover a inclusão.
Com a condenação do Colégio Galois, espera-se que outras instituições também reflitam sobre suas práticas e implementem mudanças necessárias para garantir a segurança e o respeito entre todos os alunos.

