O cenário eleitoral se desenha para 2026
Em meio a intensas movimentações políticas, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deve renunciar ao seu cargo até o final desta semana, em cumprimento à desincompatibilização exigida pela legislação eleitoral. Ele superou uma disputa interna pelo apoio do PSD, deixando para trás o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Na mesma linha, o governador do Paraná, Ratinho Junior, decidiu não concorrer à presidência, abrindo espaço para outros pré-candidatos.
Atualmente, os nomes que se projetam para a corrida presidencial ainda estão em fase de pré-candidatura, uma vez que o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só ocorre em agosto, quando as campanhas têm início. Antes disso, cada um deles precisa garantir a aprovação de suas candidaturas em convenções internas de seus respectivos partidos.
Os principais pré-candidatos à presidência
O presidente atual, Luiz Inácio Lula da Silva, tentará conquistar um quarto mandato, algo sem precedentes na história política brasileira. Essa será a sétima vez que Lula busca a presidência. Após vencer Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, o petista tinha declarado que não tentaria um novo mandato caso fosse eleito, no entanto, seu discurso foi se transformando ao longo do tempo. Recentemente, Lula tornou-se mais enfático ao afirmar que estará na disputa em 2026, com o objetivo de defender os programas sociais de seu governo. Completando 81 anos em outubro próximo, ele se tornará o candidato mais velho a concorrer ao cargo no Brasil. As pesquisas de intenção de voto indicam que ele lidera no primeiro turno e está empatado com Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Por falar em Flávio Bolsonaro, o senador anunciou em dezembro que foi escolhido por seu pai, Jair Bolsonaro, como o candidato da família à presidência. Essa escolha causou frustração entre outros possíveis candidatos que esperavam o apoio do ex-presidente, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Desde a sua escolha, Flávio emergiu como o principal nome da oposição nas pesquisas eleitorais, garantindo a segunda colocação em todos os cenários de primeiro turno e empatando com Lula no segundo. Ele defende a anistia ao pai e a outros condenados pela tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Movimentações de Caiado e outros pré-candidatos
Ronaldo Caiado, após mudar de partido para o PSD no início do ano, busca manter aceso seu projeto presidencial. Ele saiu do União Brasil e, com a desistência de Ratinho Junior, se destacou ao receber o apoio de Gilberto Kassab, presidente do partido. Aos 76 anos, Caiado tem uma trajetória política que inclui mandatos de senador e deputado federal, além de uma tentativa frustrada de se eleger presidente em 1989, quando terminou em décimo lugar. Atualmente, as pesquisas apontam que ele conta com cerca de 4% das intenções de voto e se apresenta como uma alternativa à polarização entre Lula e a família Bolsonaro, embora defenda a anistia ao ex-presidente e a outros envolvidos na tentativa de golpe.
Outro nome forte na disputa é o governador de Minas Gerais, que recentemente renunciou ao seu mandato para concorrer pelo partido Novo. Ele já havia anunciado sua intenção de se candidatar em 2025. Empresário de sucesso, o governador ganhou notoriedade ao ser eleito em 2018, derrotando Antonio Anastasia do PSDB no segundo turno com mais de 70% dos votos. Reeleito em 2022, ele agora busca um espaço no Palácio do Planalto, tendo entre 2% e 3% nas intenções de voto, de acordo com a pesquisa Quaest.
Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), também se destaca como pré-candidato à presidência pelo partido Missão, que ele dirige e que foi criado em novembro do ano passado. Aos 42 anos, Renan disputará sua primeira eleição e as últimas pesquisas indicam que ele tem entre 1% e 2% das intenções de voto. Sua candidatura representa uma nova face no cenário político, com uma proposta que busca reunir os ideais do movimento que surgiu após os protestos de junho de 2013.
Por fim, outro veterano da política que se apresenta como pré-candidato é um ex-deputado que tem uma longa trajetória. Ele criticou a esquerda nos últimos anos após se afastar do PCdoB, onde militou por quatro décadas. Com passagens pelo MDB e uma atuação como secretário na gestão do prefeito de São Paulo, ele agora se apresenta pelo Democracia Cristã, partido que um dia foi de José Maria Eymael. Na recente pesquisa Quaest, ele também conta com entre 1% e 2% das intenções de voto.

