Iniciativa da USP para Retenção de Talentos
A Universidade de São Paulo (USP) está prestes a aprovar, na próxima semana, uma proposta que poderá aumentar os salários de professores em até R$ 4.500. Essa valorização será destinada aos docentes que apresentarem novas atividades, como a criação de disciplinas em inglês ou projetos que envolvam a comunidade externa. O reitor Aluisio Segurado ressaltou que a medida busca “reter talentos”, especialmente entre os jovens professores, que foram contratados nos últimos anos.
“Como o valor será fixo para todos os professores, isso acaba favorecendo ainda mais os novatos, aqueles que estão começando suas carreiras”, explicou Segurado em entrevista ao Estadão. Ele acrescentou que um dos principais objetivos é incentivar a implementação de atividades de extensão, que envolvem ações da universidade voltadas para a comunidade não acadêmica, como cursos gratuitos para estudantes, programas para a terceira idade, grupos de robótica e feiras de profissões.
Implementação e Regras da Gratificação
A gratificação de R$ 4.500 será liberada para os professores cujos projetos forem aprovados, porém, o pagamento somente começará em 2027. A USP planeja divulgar um edital que trará uma lista das possíveis atividades que podem ser oferecidas, deixando de fora as que estão relacionadas a ensino e pesquisa, já parte do escopo de trabalho dos docentes.
Segurado também sinalizou que professores cujos salários ultrapassarem o teto constitucional não receberão a gratificação integral. Atualmente, o teto para remuneração no serviço público do Estado é de cerca de R$ 36 mil, valor equivalente ao salário do governador.
Mudanças Necessárias e Impacto da Crise
Para viabilizar a gratificação, a universidade precisará alterar uma resolução interna que proíbe remunerações eventuais. Essa mudança será analisada pelo conselho universitário. Entre 2014 e 2023, a USP enfrentou a perda de aproximadamente 800 professores, consequência de uma crise financeira e das restrições decorrentes da pandemia, que impediram novas contratações.
A crise financeira na USP atingiu seu ponto máximo em 2014, após um período de ampliação, com a criação de novas vagas e contratações de professores. A situação do País também influenciou negativamente, uma vez que os recursos da universidade são provenientes do ICMS do Estado, que destina 5% para a USP. No mesmo ano, mais de 106% do orçamento da instituição estava comprometido com a folha de pagamento, uma situação que só começou a melhorar em 2017.
Reconstrução e Novas Contratações
A universidade, que é a mais renomada do Brasil, teve que implementar seu primeiro plano de demissão voluntária na história, atingindo servidores técnico-administrativos, paralisou obras e utilizou quase todo seu fundo de reserva, que era de R$ 600 milhões. Durante a crise, a USP passou a contratar professores temporários, que permaneciam na instituição por cerca de dois anos.
Com a recuperação financeira alcançada em 2022, a reitoria iniciou novas contratações, prevista para ser escalonada até 2025. Entretanto, devido a uma greve de alunos e professores que eclodiu em 2023, a universidade se viu na necessidade de acelerar a abertura de vagas. Nos últimos anos, foram contratados cerca de 900 novos docentes, e atualmente, o fundo de reserva da USP alcança R$ 1,17 bilhão.
Críticas e Demandas dos Servidores
O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) manifestou sua insatisfação em relação à proposta, afirmando que a reitoria busca “flexibilizar os parâmetros de sustentabilidade da USP” ao oferecer gratificações apenas para os professores, sem apresentar propostas para a valorização dos funcionários. A entidade, que representa os servidores técnico-administrativos, reivindica um reajuste fixo de R$ 1.200 para essa categoria.
De acordo com o reitor, a USP deve divulgar, em breve, novas propostas para valorizar a carreira dos servidores, buscando um equilíbrio nas demandas de todos os setores da instituição.

