Desafios do Interior Paulista para Haddad
O interior de São Paulo tem sido um território difícil para o PT nas eleições para governador. Na disputa anterior, Fernando Haddad venceu Tarcísio de Freitas na capital e região metropolitana, mas o apoio majoritário do interior garantiu a vitória do adversário. Agora, em um novo embate, Haddad busca apresentar argumentos que ressoem com o eleitorado interiorano.
Em entrevista coletiva online promovida pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, da qual CartaCapital participou, o pré-candidato pelo PT afirmou que o interior paulista sofre as consequências do “tarifaço” imposto por Donald Trump, que conta com respaldo dos bolsonaristas. Além disso, destacou a ausência de políticas eficazes para a segurança no transporte de mercadorias, o que eleva os custos no estado.
Foco na Agricultura e Segurança Pública
Haddad ressaltou que, apesar das dificuldades, o Plano Safra alcançou valores recordes durante o governo Lula. Com empréstimos a juros subsidiados, especialmente pelo Banco do Brasil, o programa conta com 610 bilhões de reais para este ano, superando em 16 bilhões o orçamento previsto para 2025. As taxas de juros também foram reduzidas, facilitando o acesso ao crédito rural.
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“A produção cresceu todos os anos no atual governo porque os planos são recorde”, enfatizou Haddad, atribuindo parte desse sucesso à diplomacia do presidente Lula, que ampliou mercados para produtos primários brasileiros. Ele afirmou que o apoio ao setor agrícola é essencial para fortalecer a população.
Outra questão levantada pelo ex-ministro foi o surgimento de “milícias” no interior paulista, consequência da contratação de segurança privada por produtores rurais devido à deficiência dos serviços públicos. Haddad alertou para os riscos dessa situação, comparando com o avanço do bolsonarismo no Rio de Janeiro.
Críticas à Gestão Atual e Defesa dos Serviços Públicos
Segurança pública será uma das bandeiras da campanha de Haddad, que pretende colocar o tema em evidência no governo estadual. Ele criticou o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de Tarcísio, por ter excluído crimes do “colarinho branco” do alcance da lei antifacção aprovada pelo Congresso.
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Segundo Haddad, essa alteração beneficia indivíduos como Daniel Vorcaro, dono do extinto banco Master, que não serão punidos conforme previsto inicialmente pelo governo Lula, que buscava facilitar o confisco judicial de bens ligados ao crime organizado.
Além disso, o pré-candidato lamentou o avanço das privatizações no estado, que, segundo ele, têm prejudicado a qualidade dos serviços públicos. Ele citou como exemplos a privatização do serviço funerário na cidade de São Paulo e a transformação de parques públicos em espaços comerciais, o que reduz as áreas de lazer e contemplação para a população.
“A sanha privatista faz com que os paulistas percam a noção de espaço e serviço público”, declarou Haddad, reforçando seu compromisso de reverter esse cenário.

