A crise se aprofunda no Planalto
A recente derrota do governo federal na indicação do advogado Jorge Messias para a Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe à tona uma onda de desconfiança, especialmente entre partidos aliados como o MDB e o PP. A situação gerou um clima de instabilidade entre o Palácio do Planalto e seus parceiros de base, levando a acusações de traições e estratégias mal elaboradas. Em resposta, muitas lideranças do MDB acusaram o governo de tentar desviar a responsabilidade pelo resultado negativo.
Nas redes sociais, a rejeição à indicação de Messias foi expressiva, alcançando cerca de 1,2 milhão de menções, com uma predominância de reações negativas oriundas da direita. O contexto se complica ainda mais com a possibilidade de judicialização da derrubada do veto relacionado ao Projeto de Lei da Dosimetria, que se tornou um ponto controverso.
Intervenções e descontentamentos
Leia também: Sabatina e Aprovação: O Caminho de Jorge Messias ao STF
Fonte: alagoasinforma.com.br
Leia também: Agrishow 2023: Presidenciáveis de Direita Se Destacam na Maior Feira de Agronegócio do Brasil
Fonte: ocuiaba.com.br
De acordo com fontes próximas ao Palácio do Planalto, a virada decisiva na votação de Messias ocorreu no dia em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), começou a atuar diretamente na articulação, conseguindo unir a maior parte da bancada que contava com sete votos. Informações também indicam que Ciro Nogueira (PP), presidente do partido, que inicialmente apoiava Messias, se manteve alinhado a Alcolumbre durante a sessão, o que foi interpretado como um sinal de descontentamento com o governo.
Além disso, no MDB, a liderança do Planalto considera que houve uma dissidência organizada na bancada, onde Alcolumbre explorou descontentamentos com a escolha de Lula para a vaga no STF. Dessa forma, a insatisfação entre os aliados parece ter ampliado a crise de confiança no governo.
Mensagens de Lula e reações do MDB
Em um pronunciamento em rede nacional, o presidente Lula, durante a celebração do Dia do Trabalho, fez menção a obstáculos impostos pelo “sistema”, reforçando a ideia de que cada avanço do governo é seguido por uma resistência. Ele destacou que “a cada passo que damos em direção a melhorias para o povo brasileiro, o sistema se coloca contra”.
Embora a crise se aprofunde, Eduardo Braga, líder do MDB no Senado, repudiou a ideia de que o partido tenha atuado contra a indicação de Messias. Em uma nota, ele classificou as insinuâncias como “intrigas” e “maledicências”, acusando o governo de procurar um “bode expiatório” para sua derrota. Renan Calheiros (MDB-AL) também se manifestou, negando qualquer traição e afirmando que o MDB trabalhou e votou em favor de Messias.
Os números da votação e possíveis traições
A votação, que ocorreu de forma secreta, resultou em apenas 34 votos a favor de Messias, número insuficiente para a aprovação. O núcleo ideológico mais próximo ao governo, formado por senadores do PT, PDT e PSB, conseguiu reunir apenas 18 votos, e mesmo entre os que se declararam favoráveis, há incertezas quanto à fidelidade dos apoiadores.
Esses 34 votos, caso todos tenham cumprido com seu compromisso, ainda ficam aquém do necessário, levando o governo a considerar o cenário de traições e indecisões entre os senadores. Em um ambiente onde a política é marcada por alianças frágeis, a sensação de traição pode levar a uma reavaliação das relações entre o governo e seus aliados.
Reflexões sobre liderança e estratégia
Entre as reações internas, a figura de Jaques Wagner, líder do governo no Senado, está sob escrutínio. Ele foi criticado por ter projetado um cenário otimista que não se concretizou, prevendo inicialmente 45 votos favoráveis a Messias, e depois ajustando para 41, após uma conversa com Lula. A falta de ação preventiva do governo em relação à votação foi vista como um erro estratégico, levando a um clima de frustração entre os aliados.
Enquanto isso, as movimentações de José Guimarães, responsável pela articulação política, também são alvo de críticas, com alguns ressaltando que o governo deveria ter considerado um adiamento da votação, mitigando o risco de uma derrota humilhante. Assim, o caminho à frente será desafiador para o Planalto, que agora se vê diante da necessidade de reconstruir a confiança com os seus aliados.

