Uma Nova Era para a Leitura no Brasil
Na última quinta-feira (23), Brasília (DF) sediou o 9º Prêmio Vivaleitura, um evento promovido pelo Governo do Brasil, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros Margareth Menezes (Cultura) e Leonardo Barchini (Educação). A cerimônia, parte das comemorações do Dia Mundial do Livro, marcou também a assinatura do novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) 2026–2036 e o lançamento do programa MEC Livros, que visa democratizar o acesso à literatura no país.
O Vivaleitura, que retorna após uma pausa de 10 anos, tem como objetivo reconhecer e premiar iniciativas que promovem a leitura em diferentes contextos sociais e educacionais. Durante a cerimônia, cinco projetos foram laureados, cada um representando uma categoria distinta: o Projeto Moara (PA) na categoria Bibliotecas; Leituras Sentidas: Narrativas do Meu Lugar (RR) em Escolas; Narrativas Subterrâneas (BA) em Espaços Diversos; Autoria Indígena (BA) em Escrita Criativa; e Escrevivências da Libertação (AC) no sistema prisional e socioeducativo, todos recebendo R$ 50 mil.
Diretrizes para o Futuro da Leitura
A oficialização do PNLL representa um novo ciclo nas políticas públicas voltadas para o livro e a leitura no Brasil. Elaborado de forma interministerial entre o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério da Educação (MEC), o plano foi construído com a participação da sociedade e estabelece metas e diretrizes para os próximos dez anos. O foco principal é ampliar o acesso ao livro, fortalecer as bibliotecas e promover a formação de novos leitores.
Margareth Menezes, durante seu discurso, enfatizou a importância do PNLL como um divisor de águas. “Esse plano nacional materializa um conjunto interministerial para promoção e valorização do livro, da leitura, da escrita e das bibliotecas”, destacou. A ministra também reforçou a orientação das políticas culturais do governo, afirmando: “Um Brasil com mais livros e menos armas”.
Cultura e Desenvolvimento Social: Uma Conexão Necessária
Entre as diretrizes do PNLL, estão a construção e modernização de bibliotecas municipais, a ampliação de acervos em escolas e em bibliotecas públicas e comunitárias, além de incentivar ações permanentes de mediação de leitura, especialmente em territórios historicamente vulneráveis. Margareth Menezes também ressaltou a conexão entre cultura e desenvolvimento social: “O povo brasileiro precisa de moradia digna, mas precisa também de bibliotecas, de livros, de cultura, de educação e arte”, argumentou. Ela concluiu: “Investir em cultura, investir em educação, é investir em ser humano, é investir na esperança e no futuro dessa nação”.
Iniciativas em Andamento e o Programa MEC Livros
O MinC anunciou a inclusão de bibliotecas públicas e comunitárias no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), uma das inovações mais significativas da política atual. Em 2026, mais de 2 milhões de livros literários foram distribuídos em 4.106 bibliotecas em todo o Brasil. Atualmente, o país conta com 3.410 bibliotecas públicas e 696 comunitárias registradas, além da expansão de bibliotecas em empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida e a atuação de bibliotecas itinerantes em cidades menores. As informações apresentadas durante o evento indicam um crescimento no público leitor, com um aumento de 3 milhões de novos consumidores de livros, destacando as mulheres negras como o maior grupo de leitoras.
MEC Livros: Ampliando o Acesso
Outro ponto alto da cerimônia foi o lançamento do MEC Livros, uma plataforma digital gratuita que visa ampliar o acesso à leitura para estudantes, educadores e o público em geral. O presidente Lula, ao discorrer sobre a importância do acesso à cultura, afirmou: “O nosso papel não é dizer qual o livro que a pessoa vai ler, mas sim criar condições para que toda criatividade possa chegar à mão de todos”. Esta plataforma já reúne milhares de títulos e obteve resultados significativos nas primeiras semanas de operação. “Nós temos que fazer as pessoas lerem, mesmo que não possam comprar o livro, e o MEC Livros é exatamente isso”, ressaltou o presidente.
Lula ainda reforçou que a política do governo busca equilibrar a promoção do digital com a valorização da cadeia produtiva do livro: “A gente não quer substituir, queremos manter vocês em pé, trabalhando, vendendo e distribuindo cultura nesse país”. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, também destacou a importância de restaurar os investimentos no setor literário. “Estamos investindo cada vez mais na cultura do livro e da leitura no Brasil”, afirmou. De acordo com Barchini, programas como o PNLD e iniciativas como os cantinhos da leitura, que estão presentes em mais de 137 mil escolas, têm contribuído para avanços significativos na alfabetização, alcançando 66% das crianças na faixa etária correta em 2025.
Ao concluir o evento, o presidente Lula reiterou o valor do investimento contínuo em educação e cultura, reforçando: “Investir em educação é investimento que tem muito retorno nesse país”.

