Plano de recuperação financeira e administrativa
Marcelo Portugal Gouvêa, candidato à presidência do São Paulo, revelou seu projeto para tirar o clube da atual crise financeira durante entrevista ao programa Concentração, da Rádio Bandeirantes. Filho do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, que esteve à frente do Tricolor entre 2002 e 2006, ele destacou que a dívida do clube pode chegar a R$ 1,3 bilhão até o final de 2026. O dirigente alertou para o risco de esse passivo dobrar caso o modelo atual de gestão seja mantido. Para ele, essa é uma oportunidade crucial para “salvar” o São Paulo, um clube de grande magnitude, mas com dificuldades financeiras severas.
Reestruturação baseada em três pilares
O plano apresentado se apoia em três frentes principais: reestruturação financeira, profissionalização da gestão e responsabilidade nas decisões. O candidato enfatizou a necessidade de ajustar os gastos à arrecadação real, rejeitando orçamentos baseados em premiações esportivas ou vendas incertas de atletas. “Na minha gestão, o orçamento será rigorosamente cumprido”, afirmou. Ele também propõe a adoção de metas e avaliações de desempenho para executivos, além de ampliar a participação dos departamentos técnicos nas decisões, especialmente na contratação de jogadores. O terceiro ponto do projeto visa garantir que cada decisão considere seus impactos financeiros, institucionais e esportivos, promovendo uma cultura de responsabilidade dentro do clube.
Foco na base e reformulação do futebol
Um dos destaques do plano é a valorização das categorias de base, com Cotia assumindo papel central no planejamento esportivo. Portugal Gouvêa criticou as negociações recentes de jovens talentos por valores abaixo do mercado, que acabam financiando contratações de jogadores mais caros e experientes. A proposta é reduzir o número de contratações, mas com maior critério e assertividade. Para isso, o projeto prevê investimentos em tecnologia, ciência e análise de desempenho, além de conferir mais autonomia ao departamento de scout. A escolha do treinador também seguirá essa linha, priorizando profissionais experientes que valorizem o desenvolvimento dos atletas formados no clube. Embora reconheça as limitações financeiras, o candidato acredita que o elenco pode se manter competitivo durante a fase de reconstrução.
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Discussão sobre transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF)
Outro ponto abordado foi a possibilidade de transformar o São Paulo em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Portugal Gouvêa revelou que já há interesse de empresas em investir no clube, mas ressaltou que qualquer mudança dependerá de estudos aprofundados e da aprovação das instâncias internas. Ele pretende contratar uma consultoria independente para avaliar o modelo mais adequado à realidade do Tricolor. Uma alternativa em análise é a criação de uma SAF sem venda do controle, mantendo 100% das ações nas mãos do clube inicialmente, o que permitiria a adoção de novas regras de governança e maior responsabilização dos dirigentes. “Pode ser que, neste primeiro momento, a SAF fique 100% para o São Paulo”, explicou.
Próximos passos na eleição presidencial
A eleição do presidente do São Paulo depende da escolha dos 100 conselheiros eleitos pelos associados, marcada para 28 de novembro. Esses conselheiros se juntarão aos 160 vitalícios que também participam da votação. Portugal Gouvêa afirmou que a disputa ainda está aberta e defendeu mudanças no sistema político do clube, incluindo a ampliação da participação dos torcedores nas eleições. As propostas do candidato, como alterações estatutárias e a possível transformação em SAF, aguardam aprovação dos órgãos internos e dependem de sua vitória nas urnas.

