Discurso Afiado e Críticas ao Governo Federal
No último domingo, o Rio de Janeiro foi palco de uma manifestação que contou com a presença de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O evento, que ocorreu em Copacabana, teve como destaque o anúncio de Douglas Ruas como pré-candidato ao governo do estado pelo PL, feito por Flávio Bolsonaro, que o descreveu como uma ‘grande liderança, jovem e policial civil’. Com vistas às eleições de 2026, a estratégia do PL é posicionar Ruas como um candidato temporário antes do embate com o atual prefeito Eduardo Paes nas próximas eleições.
As manifestações não se limitaram ao Rio. Cidades como Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Salvador, São Bernardo do Campo e Ribeirão Preto também registraram atos similares neste mesmo dia.
Críticas Diretas ao Prefeito e ao Presidente
Durante seu discurso, Douglas Ruas não poupou críticas ao prefeito Eduardo Paes, seu provável adversário. Em um tom combativo, Ruas enfatizou a aliança de Paes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando até a presença do prefeito na festa da escola Acadêmicos de Niterói. Afirmou: ‘2026 é o ano da virada, do Brasil acordar. Está muito claro o que temos do outro lado. O presidente que diz que traficante é vítima, não vamos admitir isso. Ele esteve aqui, e ao lado do Eduardo, sambou, riu e aplaudiu o maior ataque já visto à família brasileira.’ Ruas defendeu a manutenção dos valores familiares contra o que chamou de ‘defensores de vagabundos’.
No trio elétrico da manifestação, as críticas se estenderam ao desfile da escola de samba, que foi alvo de ironias pela ala conservadora presente no evento. O enredo que homenageou o presidente Lula foi denunciado pela oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposta campanha antecipada.
Oposição e Enfrentamento ao Crime Organizado
Ruas ressaltou a importância de um posicionamento firme contra o crime organizado, prometendo que ‘não vamos permitir que zombem, sambem e aplaudam um ataque à família.’ Ele reafirmou que a família é um projeto central de sua candidatura. ‘Vamos juntos rumo à vitória’, concluiu, incitando os presentes.
Rodrigo Amorim, deputado estadual e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), apoiou Ruas, chamando Paes de ‘o soldado de Lula’. Enfatizou a importância da candidatura de Douglas Ruas no confronto contra o PT, expressando um desejo de afastar o atual prefeito.
Contexto da Manifestação e Agenda Política
A manifestação teve início por volta das 11h15, com discursos de diversas lideranças do PL. Carlos Portinho, líder do partido no Senado, foi um dos primeiros a se pronunciar. Ele, que ficou de fora da chapa majoritária para as eleições, declarou que sua prioridade é apoiar Flávio Bolsonaro na corrida presidencial: ‘Nosso propósito maior, com todos os sacrifícios que forem necessários, é eleger Flávio. Chega desse governo de perseguição política.’
O deputado Carlos Jordy também discursou, destacando a necessidade de realizar um ato de resistência no Rio e atacando o Supremo Tribunal Federal, considerando seus ministros como ‘tiranos’. Ele criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por sua atuação, e afirmou que a luta é para que ‘Bolsonaro fique livre’.
Além dos discursos políticos, a pauta da manifestação se revelou difusa. Ao convocar o ato pelas redes sociais, o organizador Nikolas mencionou um foco em ‘Fora, Lula, Moraes e Toffoli’, mas essa ideia não agradou a todos os grupos, levando a um apelo por anistia entre os participantes. Esse descontentamento pode indicar divisões internas entre os apoiadores de Bolsonaro, especialmente à medida que se aproximam as eleições.

