Ações para melhorar a gestão de resíduos sólidos no interior paulista
Ribeirão Bonito, localizada na Região Central de São Paulo, sediará no dia 12 de março um programa de capacitação voltado para gestores municipais. O foco da iniciativa é enfrentar um dos maiores desafios ambientais e sanitários: a gestão de resíduos sólidos. Realizado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), o curso busca assegurar uma destinação ambientalmente adequada dos materiais e faz parte do programa Integra Resíduos, que visa aprimorar o manejo de resíduos nas cidades paulistas, levando em consideração as particularidades regionais e locais em todas as fases, desde a geração até a destinação final. Para isso, a ação conta com um investimento total de aproximadamente R$ 6,3 milhões, destinado à capacitação de técnicos em todas as 16 regiões do estado.
De acordo com as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS), a primeira capacitação foi realizada em Assis, na região de Marília, e reuniu cerca de 50 participantes, entre gestores municipais, representantes de associações e cooperativas de catadores. A oficina, com duração de oito horas, foi ministrada pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e abordou temas cruciais, como sustentabilidade financeira, educação ambiental, coleta seletiva, aspectos jurídicos e planejamento logístico da gestão de resíduos.
A FIA utilizou uma metodologia baseada em um diagnóstico regional detalhado, permitindo a proposta de soluções personalizadas para cada município. Cristiano Kenji, subsecretário de Recursos Hídricos e Saneamento Básico da Semil, destacou a importância do papel do Estado em apoiar os municípios a avançarem na gestão de resíduos sólidos. “Essa capacitação fortalece a capacidade dos municípios de implementar soluções eficientes e sustentáveis para a gestão de resíduos, respeitando as características regionais. É uma política pública que conecta o planejamento estadual às necessidades locais, gera economia, reduz impactos ambientais e melhora diretamente os serviços prestados ao cidadão,” afirmou.
Além desse curso presencial, está programada para o próximo mês uma capacitação online destinada a 335 municípios que fazem parte do Programa Integra Resíduos, com uma carga horária total de 20 horas. As disciplinas incluem o papel do município na gestão de resíduos, planejamento, análise financeira e logística.
Integra Resíduos: Modernizando a gestão de resíduos no estado
Lançado em 2024, o programa Integra Resíduos tem como meta modernizar a gestão de resíduos sólidos por meio de modelos regionais e a oferta de soluções economicamente viáveis para os municípios. O projeto será desenvolvido em ciclos e, na primeira etapa, contará com a participação de 65 municípios organizados em três consórcios intermunicipais, além da Região Metropolitana de Campinas, em colaboração com a Companhia Paulista de Parcerias (CPP), ligada à Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI). Durante esta fase, todos os municípios inscritos no programa também receberão capacitação para fortalecer a governança e preparar as próximas etapas.
No momento, o programa se encontra na fase de diagnóstico de engenharia, com visitas realizadas aos municípios para levantamento da infraestrutura existente e coleta de dados das prefeituras. Em colaboração com a equipe de engenharia, está em progresso a estruturação do projeto, o que inclui a definição das rotas tecnológicas e dos pontos de transbordo, com a publicação do edital prevista para o terceiro trimestre de 2026.
Desafios da destinação do lixo urbano em São Paulo
Com uma população de 45,2 milhões de pessoas, o estado de São Paulo produz cerca de 40 mil toneladas de resíduos sólidos diariamente, resultando em um custo anual de cerca de R$ 6 bilhões apenas com a destinação do lixo urbano. Entre os 645 municípios paulistas, 536 geram menos de 50 toneladas diariamente, enquanto cerca de 200 precisam percorrer mais de 50 quilômetros para realizar a disposição final dos resíduos. Atualmente, 114 aterros sanitários no estado têm uma vida útil de dois anos ou menos, destacando a urgência na adoção de soluções estruturadas em nível regional.
A programação de capacitações se estende por diversas regiões. Em fevereiro, foram realizados encontros em Assis, Lins, Caçapava, Itu, Sertãozinho e Aramina. Em março, as oficinas acontecerão em Lucélia, Guararapes, Piraju, Ribeirão Bonito, Suzano, Cajati, Valentim Gentil e Pirangi. Por fim, em abril, as capacitações serão concluídas em São Vicente e Socorro.

