Ministério Público Federal Aumenta Vigilância sobre Faculdades de Medicina
O Ministério Público Federal (MPF) deu início a mais dez investigações direcionadas a instituições de ensino superior de Medicina que obtiveram notas insatisfatórias no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Destas, oito são faculdades privadas e duas de administração municipal, todas alvo de escrutínio do MPF desde fevereiro deste ano.
Em nota, o Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto defendeu que os resultados do Enamed não representam de forma precisa a qualidade da formação oferecida aos seus alunos. O comunicado completo pode ser conferido ao final desta reportagem. Até o momento, as demais instituições não se manifestaram, mas o espaço para comentários segue aberto.
As novas investigações terão repercussões também no âmbito administrativo, uma vez que o Ministério da Educação (MEC) pode impor sanções como a suspensão de vagas e restrições no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Qualidade do Internato em Foco
Um dos principais pontos de investigação do MPF será a qualidade do internato, que compreende os dois últimos anos do curso de Medicina, dedicados ao treinamento prático dos alunos. Especialistas alertam que essa fase é uma das mais críticas na formação de médicos no Brasil, especialmente considerando as mensalidades que podem ultrapassar R$ 10 mil em instituições privadas.
No internato, os estudantes devem atuar em hospitais sob supervisão, mas muitos deles entram no mercado de trabalho sem uma formação sólida, o que gera preocupações sobre a eficácia do atendimento prestado por esses profissionais.
De acordo com informações do governo federal, aproximadamente 89 mil alunos, oriundos de 351 cursos de Medicina em todo o Brasil, participaram do Enamed. No entanto, apenas 13,6% dessas instituições lograram alcançar nota 5, que é o desempenho máximo no exame.
Desempenho dos Alunos e Expectativas Futuras
É importante considerar que dificuldades em edições iniciais de exames nacionais são compreensíveis. Em Ribeirão Preto, por exemplo, cerca de dois terços dos alunos que participaram do exame ainda estão no 11º período, não tendo completado o internato, que é uma fase crucial para a formação de médicos. Além disso, muitos desses estudantes ainda não estão focados em exames externos, fato que pode impactar de maneira significativa o resultado final obtido por suas instituições.
Quanto aos resultados, o Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto reitera que eles não refletem de forma precisa a qualidade da formação que proporcionam. A instituição ainda possui conceito 4 no ciclo regular de avaliação do MEC, um indicativo de um padrão elevado de qualidade.

