Assédio durante a Partida: Uma Realidade Inaceitável
A médica Bianca Francelino, alvo de assédio sexual durante um jogo da Série A4 do Campeonato Paulista, demonstrou resiliência após o incidente. “Isso não me desanima, porque eu tenho a paixão pelo esporte. De forma alguma, isso me cala ou me desanima”, afirmou. O episódio ocorreu no último sábado (7), véspera do Dia Internacional da Mulher, durante a partida entre Comercial e Nacional-SP, onde Bianca prestava assistência ao time visitante.
Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, ela relatou ter sido alvo de ofensas sexuais por parte de torcedores ao longo da partida. As agressões verbais incluíam comentários como “doutora gostosa, vem aqui me examinar”, além de pedidos para que ela compartilhasse seu WhatsApp e Instagram. “Gritavam o tempo inteiro, dizendo que se eu não estava gostando do que ouvia, não era para eu estar ali”, detalhou.
Bianca, que já havia enfrentado desafios em sua carreira, afirmou que não deixará que situações como essa a desmotivem em seu trabalho. “Eu sei que isso não reflete o espírito do esporte e a união que ele promove. Uma situação isolada não vai me fazer desistir de prestar esse tipo de serviço”, destacou.
Repúdio ao Assédio e Medidas de Responsabilização
O clube Comercial se manifestou em nota, condenando o assédio e afirmando que um dos torcedores já foi identificado. A Federação Paulista de Futebol (FPF) também se posicionou, informando que o episódio foi encaminhado às autoridades competentes, com a promessa de que os responsáveis enfrentariam punições severas.
Segundo a FPF, a árbitra da partida acionou um protocolo que visa promover a diversidade e combater a intolerância no futebol paulista, e a médica recebeu apoio durante o ocorrido. É importante que ações como essas sejam adotadas para garantir um ambiente seguro para todos os profissionais e torcedores nos estádios.
Reação do Namorado e a Atuação da Polícia
Paulo Galvão, namorado de Bianca e educador físico, estava presente na arquibancada e também presenciou os abusos. Ele relatou que tentou confrontar um dos torcedores, que o ameaçou ao perceber sua intervenção. “Eu só estava pedindo respeito. É minha mulher, e o que estava acontecendo era inaceitável”, disse Paulo, que ficou indignado com a situação.
Após o ocorrido, a Polícia Militar foi acionada e tomou providências para separar os envolvidos. No entanto, Paulo revelou que, em vez de retirar o torcedor agressor, a polícia tentou retirar ele e o sogro do local. “A situação foi surreal. Eu só queria defender minha namorada, mas parecia que a polícia não estava do nosso lado naquela hora”, completou.
Consequências para Torcedores e Clube
O advogado Vitor Silva Muniz, presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB de Ribeirão Preto, alertou que o Comercial pode ser responsabilizado pelas ações de seus torcedores, enfrentando multas que podem chegar a R$ 100 mil. Além disso, os torcedores identificados poderão ser banidos dos estádios por até dois anos, conforme previsto no artigo 243 G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
Muniz enfatizou a importância de que o clube mantenha um registro atualizado de torcedores banidos para facilitar o cumprimento das proibições. “As instituições devem zelar pela segurança de todos nos estádios e garantir que comportamentos abusivos não sejam tolerados”, concluiu o advogado.

