Ministério Público Abre Investigação Sobre Assédio em Jogo da A4
O promotor de Justiça Paulo José Freire Teotônio, que atua no Ministério Público de São Paulo em Ribeirão Preto, deu início a uma investigação sobre o caso de assédio contra a médica Bianca Francelino. O incidente ocorreu durante a partida entre Comercial e Nacional-SP, pela Série A4 do Campeonato Paulista, no último sábado, víspera do Dia Internacional da Mulher, no estádio Palma Travassos.
Segundo o promotor, dois torcedores foram identificados como suspeitos, porém, seus nomes ainda não foram divulgados. Eles devem responder por três possíveis crimes: ato obsceno, provocação de tumulto em evento esportivo e ameaça. Se condenados, as penas podem resultar em até dois anos de prisão.
Teotônio afirmou que o Ministério Público pretende solicitar ao juiz do Juizado Especial Criminal (Jecrim) a realização de uma audiência preliminar nos próximos dias. Durante essa audiência, será oferecida uma transação penal aos investigados, que possibilita a resolução do caso sem a abertura de um processo criminal, desde que aceitem cumprir certas medidas determinadas pela Justiça.
“Vou estabelecer dois anos de punição para esses indivíduos, para que não possam comparecer a eventos desportivos. Também será sugerido que realizem serviços comunitários em Ribeirão Preto”, declarou o promotor.
A proposta inclui a realização de atividades em dias de jogos do Comercial, com carga de trabalho de quatro horas antes e quatro horas depois das partidas, preferencialmente em apoio às ações da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Possíveis Crimes e Consequências
Conforme detalhado por Teotônio, os torcedores identificados podem ser responsabilizados por três condutas distintas. A primeira diz respeito ao ato obsceno, uma vez que um dos indivíduos teria feito gestos ofensivos e colocado a mão na genitália em direção à médica que estava prestando serviços ao Nacional.
A segunda conduta é a provocação de tumulto em evento esportivo, já que houve uma discussão com outros torcedores nas arquibancadas, que tentaram intervir e repreender a atitude inadequada. Por fim, a terceira possível acusação é a ameaça, que surgiu a partir de relatos de intimidação contra o namorado da médica e seu pai.
“A Polícia Militar interveio. As atitudes foram misóginas, covardes e doentes”, afirmou o promotor, enfatizando a gravidade da situação.
Colaboração do Clube e Punições Administrativas
Além das ações contra os torcedores, há uma possibilidade de que o Comercial, clube onde ocorreu o incidente, enfrente punição administrativa, uma vez que o caso chegou ao Tribunal de Justiça Desportiva. No entanto, Teotônio esclareceu que a ação criminal deve focar apenas nos torcedores identificados, e não no clube. Ele destacou que a direção do Comercial colaborou com a investigação.
“Como o Comercial ajudou, e torcedores da principal organizada colaboraram para a identificação dos envolvidos, é provável que o clube não receba punição. A penalização precisa ser exemplar para os torcedores responsáveis”, observou.
O promotor também mencionou a necessidade de apoio da Polícia Militar e da própria torcida para garantir que os investigados não frequentem eventos esportivos durante o período da punição.
“Quem age dessa forma com uma mulher que está trabalhando não merece estar em um estádio de futebol”, completou Teotônio, ressaltando a importância de um ambiente seguro e respeitoso para todos no esporte.
Relembre o Caso
O caso gerou ampla repercussão na mídia e nas redes sociais, levantando questões sobre o assédio de mulheres em ambientes esportivos e a necessidade de um combate mais efetivo a esse tipo de comportamento. A situação é um lembrete da importância de promover um ambiente seguro e respeitoso em todos os eventos, especialmente aqueles que atraem grandes multidões e têm um impacto significativo na cultura esportiva.

