Prisões e Investigações em Sumaré
Nesta quinta-feira, 12 de outubro, a Polícia Federal (PF) prendeu José Aparecido Ribeiro Marin, ex-secretário de Educação de Sumaré, São Paulo, durante a quarta fase de uma operação que investiga irregularidades em licitações na secretaria municipal. Marin é servidor público desde 2002 e, ao longo de sua carreira, ocupou diversas funções na administração da cidade, incluindo os cargos de secretário de Mobilidade Urbana e Rural entre janeiro de 2017 e junho de 2021 e, mais recentemente, secretário de Educação de junho de 2021 até julho de 2024.
Atualmente afastado sem remuneração até dezembro de 2026, Marin já havia enfrentado um mandado de prisão em fases anteriores da operação, mas não foi localizado na ocasião. Sua defesa afirma que, após conseguir um habeas corpus, ele estava usando tornozeleira eletrônica desde 18 de dezembro do ano passado.
Segundo os investigadores, Marin teria colaborado estreitamente com André Mariano, dono da empresa Life Tecnologia Educacional, direcionando licitações e autorizando pagamentos em troca de propinas. Além de Marin, a atual secretária de Finanças de Itu, Monis Marcia Soares, também foi alvo da operação e agora está sob monitoramento eletrônico.
A Quarta Fase da Operação Coffee Break
A operação de hoje resultou na execução de 10 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e uma ordem para o uso de tornozeleira eletrônica. A Justiça também determinou o afastamento de alguns servidores e o bloqueio de bens dos investigados, com ações ocorrendo não apenas em Sumaré, mas também em Campinas, Jundiaí e Americana.
De acordo com a PF, a investigação atual se concentra em processos licitatórios realizados pela Secretaria de Educação de Sumaré de 2021 a 2025. Há também investigações em curso sobre movimentações financeiras suspeitas que podem indicar tentativas de encobrir valores desviados de recursos públicos.
Os crimes investigados incluem corrupção, desvio de dinheiro público, fraude em licitações e lavagem de dinheiro, com penas que podem somar até 60 anos de prisão, dependendo do envolvimento de cada acusado. O nome da operação, Coffee Break, faz alusão a um código usado pelos suspeitos para referir-se aos pagamentos de propina.
Desdobramentos das Fases Anteriores
Em fases anteriores da operação, que teve início em novembro do ano passado, foram executados 50 mandados de busca e apreensão e seis prisões em diversas localidades, incluindo São Paulo, Distrito Federal e Paraná. Em Hortolândia, por exemplo, o vice-prefeito e o secretário de Educação foram presos, mas o vice-prefeito teve sua prisão revogada posteriormente, recebendo medidas cautelares em vez de custódia.
A investigação revela um esquema de fraudes que opera desde 2021, envolvendo agentes públicos, lobistas e operadores financeiros clandestinos. A Life Tecnologia Educacional, segundo apurações, vencia as licitações apresentando propostas que favoreciam seus produtos, enquanto concorrentes eram desclassificados. O sobrepreço dos produtos fornecidos pela empresa chegava a ser até 35 vezes superior ao valor real.
Após receber valores superfaturados, a empresa canalizava quantias significativas para empresas de fachada, muitas delas geridas por doleiros que utilizavam técnicas como pagamentos fracionados de boletos para lavar dinheiro e financiar propinas.
Reações e Declarações
Os advogados de José Marin se manifestaram, destacando que ainda não tiveram acesso completo aos autos da investigação e expressando surpresa com a decretação da prisão, já que Marin estaria cumprindo rigorosamente medidas cautelares. A defesa reiterou sua confiança nas autoridades e se colocou à disposição para esclarecimentos.
A Prefeitura de Sumaré também divulgou um comunicado, afirmando que a operação da PF está relacionada a contratos da educação de gestões anteriores, sem vínculos com a administração atual. A administração garante estar colaborando com as investigações e disponibilizando todas as informações necessárias.

